A reunião de vereadores de Simões Filho com o governador Jerônimo Rodrigues, realizada na manhã daúltima terça-feira (07), abriu espaço para leituras políticas imediatas. Mas, segundo Itus Ramos – Presidente da Câmara Municipal, o encontro teve caráter institucional e foi motivado pela apresentação de demandas consideradas estratégicas para o município, e não por qualquer movimento de ruptura com a gestão do prefeito Del Soares.
A agenda, previamente definida, reuniu vereadores que apoiam Itus Ramos na disputa pela presidência da Câmara, além do senador Otto Alencar, do deputado estadual Eduardo Alencar, do ex-prefeito Edson Almeida e do Vereador Genivaldo Lima ao lado dos demais.
O ponto mais sensível da pauta foi a comunidade de Palmares, apontada no documento entregue ao governador como uma das regiões que mais precisam de investimentos em abastecimento de água canalizada e saneamento básico.
Documento reúne demandas estruturantes para Simões Filho
Itus Ramos disponibilizou ao Tudo é Política o documento apresentado ao governador Jerônimo Rodrigues. O texto solicita apoio institucional do Governo da Bahia para uma série de ações voltadas à infraestrutura, mobilidade urbana, saúde, educação e saneamento.
Entre os pedidos estão a conclusão de obras da Conder no distrito de Pitanguinha, a municipalização da Avenida Elmo Cerejo de Farias, a estadualização do Hospital Municipal de Simões Filho, a conclusão da pavimentação da ligação entre Simões Filho e Camaçari por Góes Calmon e ações de macrodrenagem.
A lista também inclui o retorno de linhas de transporte coletivo entre Simões Filho e Salvador, via Santo Antônio do Rio das Pedras, e entre Simões Filho e Camaçari, via Palmares. Outro ponto de forte impacto social é a solicitação de implantação de um campus da Universidade do Estado da Bahia, a UNEB, no município.
Palmares ganha centralidade na pauta com o Estado
Embora o documento trate de diferentes áreas, Palmares aparece como uma das comunidades com maior urgência. A falta de abastecimento regular de água e a necessidade de saneamento básico colocam a região no centro da cobrança feita ao Governo do Estado.
A demanda tem peso social e político. Água canalizada não é apenas uma obra de infraestrutura: é condição básica de saúde pública, dignidade e desenvolvimento comunitário. Ao levar esse tema ao governador, a Câmara tenta transformar uma queixa histórica da população em pauta oficial de governo.
O pedido também envolve mobilidade. A defesa do retorno da linha Simões Filho x Camaçari, passando por Palmares, busca atender famílias que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar e acessar serviços em outras cidades da Região Metropolitana.
Agenda institucional não significa rompimento, diz Itus
A movimentação dos vereadores foi interpretada por alguns setores como sinal de afastamento da Câmara em relação à Prefeitura. Itus Ramos, porém, afirmou que a reunião não teve vínculo com rompimentos, novos acordos políticos ou articulações contra a gestão municipal.
A explicação é politicamente relevante porque Simões Filho vive um momento de reorganização de forças no Legislativo. Nesse ambiente, qualquer agenda com o governador tende a produzir especulações. Ainda assim, o conteúdo do documento apresentado aponta para uma pauta administrativa e de interesse público.
Na prática, a Câmara buscou se colocar como ponte entre a população e o Governo do Estado. Esse movimento segue uma lógica já adotada pelo prefeito Del Soares, que também passou a manter diálogo direto com a gestão estadual, em contraste com períodos anteriores de menor aproximação institucional.
Diálogo com o Estado pode destravar obras e serviços
A aproximação entre Câmara, Prefeitura e Governo do Estado, quando orientada por demandas concretas, pode beneficiar Simões Filho. O município tem peso econômico expressivo na Bahia, abriga um importante polo industrial e ocupa posição estratégica na Região Metropolitana de Salvador.
Por isso, reivindicações como hospital, macrodrenagem, pavimentação, transporte e ensino superior público não são apenas pedidos locais. Elas dialogam com a dinâmica regional, com a circulação de trabalhadores, com o escoamento de produção e com a qualidade de vida de milhares de moradores.
O desafio, agora, será transformar a audiência política em encaminhamentos práticos. A entrega do documento cria um registro formal das prioridades, mas a resposta dependerá da análise do Governo do Estado, da capacidade de articulação dos representantes locais e do acompanhamento da população.