O presidente Lula desenhou uma linha dura para o encontro com Donald Trump previsto para março. Em entrevista na Índia, afirmou que negociará pessoalmente minerais críticos e terras raras, mas com uma condição inegociável: soberania total sobre o processamento no território brasileiro.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Apesar disso, produz apenas 1% do volume global. Lula quer inverter essa lógica — e não vender minério bruto para processamento externo.
A postura colide com a estratégia americana. Washington apresentou a aliados um modelo de cooperação para exploração de recursos estratégicos; o Brasil enviou representante, analisou e recusou integrar a iniciativa. A decisão antecipa atrito na Casa Branca.
Lula também criticou o método Trump de governar por redes sociais. Para evitar “distorções pelo vento”, levará todas as propostas por escrito. A carta — cujo conteúdo ainda não foi revelado — será entregue pessoalmente.
Além de terras raras, a pauta bilateral inclui o “tarifaço” vigente contra setores industriais brasileiros e cooperação no combate ao crime organizado e tráfico internacional de drogas.