Cacauicultura 4.0 começou ontem (10) em Barreiras e reúne especialistas, produtores e autoridades para discutir o futuro do cacau irrigado.
Barreiras, no Oeste baiano, tornou-se ontem (10) o epicentro da inovação agrícola no Brasil com o início da Cacauicultura 4.0 2025. O evento, que acontece até sábado (12), no Parque Natural Engenheiro Geraldo Rocha, é considerado um marco para o setor cacaueiro, reunindo produtores, pesquisadores, autoridades e representantes do agronegócio de várias regiões do país e também do exterior.
A abertura oficial contou com a participação do governador Jerônimo Rodrigues, secretários estaduais e prefeitos da região. Um dos momentos simbólicos foi o plantio de mudas de cacau ao redor da lagoa do parque, reforçando a aposta no cultivo irrigado como vetor de transformação econômica para o Oeste da Bahia.

“É uma alegria imensa estar neste encontro, que a cada ano ganha mais força e importância. Reafirmo meu total apoio a esses pioneiros que trouxeram o cacau irrigado para o Oeste, uma região que já tem uma tradição consolidada em culturas como grãos, algodão e frutas”, afirmou o governador, destacando o potencial da Bahia em recuperar sua liderança nacional na produção de cacau.
O prefeito Otoniel Teixeira também celebrou o momento: “É motivo de orgulho ver o Oeste baiano, já conhecido pelo café e pela soja, agora se consolidando também como referência na produção de cacau. Barreiras está pronta para continuar expandindo esse cultivo.”
Tecnologia, Mercado e Sustentabilidade em Debate
Durante os três dias de evento, a programação inclui painéis, palestras e um dia de campo, abordando temas como rastreabilidade, inovação, boas práticas e estratégias para aumentar a produtividade. Os participantes também terão a oportunidade de visitar a Fazenda Santa Helena, em Riachão das Neves, para conhecer de perto as lavouras irrigadas e as tecnologias de ponta aplicadas na região.
Segundo Moisés Schmidt, presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o Oeste vive um novo ciclo agrícola, agora com o cacau no centro das atenções. “O que parecia improvável virou realidade. Com tecnologia e irrigação, estamos construindo um modelo produtivo de alta performance para o cacau, assim como fizemos com o algodão, milho e frutas”, ressaltou.

As projeções são otimistas: até 2026, a área plantada deve ultrapassar 5 mil hectares, com possibilidade de superar 20 mil hectares até 2030. Isso pode representar um acréscimo superior a 60 mil toneladas na produção estadual e atrair cerca de R$ 3,9 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos, com a geração de mais de 4 mil empregos diretos no campo.
Cacau a Pleno Sol: Uma Revolução no Cerrado Baiano
Uma das grandes apostas da região é o cultivo do cacau a pleno sol, consorciado com culturas como a banana. Tradicionalmente cultivado à sombra, o cacaueiro foi adaptado às condições do Cerrado, onde a combinação de tecnologia, irrigação e solos férteis tem gerado resultados impressionantes.
“É uma bênção para a agricultura baiana. Temos terra, sol, tecnologia e irrigação. Não tenho dúvidas de que vamos prosperar ainda mais”, destacou Pablo Barrozo, secretário estadual da Agricultura, ao reforçar o papel estratégico do Oeste na expansão do cacau.
Municípios como Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Formosa do Rio Preto já colhem os frutos desse modelo inovador, com produtividade até dez vezes superior à média nacional, alcançando entre 150 e 250 arrobas por hectare.
A realização do evento conta com apoio do Governo do Estado, Governo Federal, Centro de Inovação do Cacau (CIC), Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Na ocasião, o governador Jerônimo Rodrigues foi convidado a ser o patrono da edição de 2026.