📍 Simões Filho, 27 de maio de 2025 – Cinco meses sem transporte universitário em Simões Filho. Cinco meses de prejuízos, perda de bolsas, evasão acadêmica e promessas vazias por parte do poder público. Diante de um cenário tão grave, a pergunta que ecoa é: onde estão os estudantes de Simões Filho?
Descaso da prefeitura é alvo de nova denúncia estudantil
A União dos Estudantes Universitários voltou a denunciar o descaso da prefeitura com o transporte universitário, serviço essencial para centenas de jovens de baixa renda que estudam em Salvador e outras cidades. A pauta, mais do que justa, ganha espaço em redes sociais, grupos de WhatsApp e até na televisão.
No entanto, o que se vê fora das telas é um preocupante silêncio das ruas — um esvaziamento que denuncia não só a omissão do poder público, mas também a apatia da própria juventude local.
“Todo dia eles inventam uma desculpa diferente. Já ficamos várias vezes no vácuo, sem nenhuma resposta oficial”, relatou um estudante, que preferiu não se identificar.
Atitude nas redes não substitui presença nas ruas
A reclamação é válida. Mas o que falta é atitude. Os estudantes querem mudança, mas poucos estão dispostos a se levantar do sofá.
Quando manifestações são convocadas, especialmente aquelas que contam com a presença de emissoras de TV, espera-se que haja uma multidão empunhando cartazes e palavras de ordem.
Em vez disso, o que se vê são ruas vazias, enquanto muitos acompanham a cobertura pela internet — como se a transformação fosse um espetáculo do qual se assiste, não se participa.
História mostra que a juventude já protagonizou mudanças
A juventude que mudou o Brasil já foi às ruas. Foi assim nas Diretas Já, nos Caras Pintadas que enfrentaram Fernando Collor, nos estudantes da década de 1970 que lutaram contra a ditadura militar.
Todos sabiam que só se conquista o que se reivindica com corpo, voz e coragem. Eles enfrentaram repressão, censura e até a morte, e, graças a essa luta, os benefícios que hoje estão sendo perdidos — como o transporte universitário gratuito — foram conquistados.
Indignação digital não tem força política
Hoje, porém, a lógica parece invertida: a luta digital substitui a ocupação das ruas, e a indignação termina onde começa o sinal do Wi-Fi.
A geração que pauta eleições e é cortejada por todos os partidos não percebe que também tem a força de pautar políticas públicas — mas, para isso, precisa sair da passividade.
Claro, é verdade que muitos jovens trabalham, cuidam da casa, enfrentam longas jornadas e não têm como comparecer a atos-relâmpago de 15 ou 20 minutos, organizados apenas no tempo da cobertura da mídia.
Mas essa mesma realidade exige organização, persistência e volume. Um protesto com cinco pessoas em frente às câmeras não causa impacto. Uma multidão, sim.
Transporte universitário é um direito, não um favor
A ausência do transporte não é apenas um problema logístico, é uma violação do direito à educação, um ataque ao futuro.
E enquanto os gestores dormem tranquilos, seguros de que a juventude não irá incomodar, os estudantes perdem bolsas, abandonam cursos e veem portas se fecharem.
“Simões Filho já é uma cidade com poucos incentivos à juventude, e agora tiram o pouco que temos para continuar estudando. Queremos respeito!”, desabafou uma estudante.
Conclusão: indignação sem mobilização é derrota garantida
Mas respeito se conquista com atitude. É hora de entender que manifestação sem presença não é manifestação. Que direitos não se pedem por curtidas, se conquistam com pressão. Que se a juventude é decisiva em uma eleição, também deve ser decisiva nas ruas, nas pautas, nas cobranças.
A União dos Estudantes Universitários cobra providências. Mas será que seus representados estão dispostos a sair do digital e ocupar o real? Até quando a cidade vai aceitar que seus jovens fiquem de braços cruzados enquanto o futuro lhes é arrancado?