Ministro deixa a corte oito anos antes do previsto e pretende se dedicar à literatura e memórias
O ministro Luiz Fux Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu o país ao anunciar sua aposentadoria da Corte, encerrando sua carreira no tribunal oito anos antes do previsto. A declaração foi feita no fim da sessão do STF, com voz embargada, pausas para beber água e momentos de leve descontração, enquanto lembrava ter se preparado para esse instante.
O que você vai encontrar nesta matéria
- Motivos da aposentadoria antecipada
- Planos pessoais de Barroso após o STF
- Trajetória do ministro na Corte
- Principais julgamentos e decisões relevantes
- Contribuições para a magistratura e sociedade
Barroso afirmou que sente ser o momento de seguir novos caminhos. “Sinto que agora é hora de seguir outros rumos, que nem sei se estão definidos. Não tenho apego ao poder e quero viver mais a vida que me resta, com literatura e poesia”, disse. O ministro destacou ainda o desejo de lançar um livro de memórias e se dedicar aos estudos e leituras.
Motivos e planos de Barroso após aposentadoria
Segundo o ministro, a decisão não envolve arrependimentos. Ele enfatizou que sempre buscou fazer o melhor em decisões complexas, com múltiplos interesses envolvidos. “Estudei e refleti sobre a coisa certa a fazer. E fiz. Não carrego arrependimentos, afirmou durante seu discurso”.
Barroso planeja investir mais tempo na literatura, na escrita de memórias e em estudos que ficaram adiados durante seus anos na Corte. Apesar da aposentadoria, continuará sendo referência em Direito Constitucional no Brasil.
Trajetória de destaque no STF
O ministro, de 67 anos, foi indicado ao Supremo pela então presidente Dilma Rousseff em junho de 2013. Desde então, atuou como relator em processos de grande repercussão, incluindo:
- Recursos do mensalão
- Ação que restringiu o foro privilegiado
- Suspensão de despejos durante a Covid-19
Além disso, comandou a Corte durante julgamentos de relevância histórica, como a responsabilização de réus pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. Também implementou ferramentas de inteligência artificial, promoveu o uso de linguagem simples nos tribunais e incentivou programas de bolsas de estudo para candidatos negros à magistratura.
Contribuições acadêmicas e profissionais
Barroso é doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor titular de Direito Constitucional na mesma instituição. Autor de diversos livros e artigos publicados no Brasil e no exterior, também atuou como procurador do Estado do Rio de Janeiro antes de chegar ao Supremo.
Legado e impacto no STF
O ministro presidiu a Corte nos últimos dois anos, passando o comando ao ministro Edson Fachin recentemente. Durante seu período, Barroso se destacou por decisões firmes e por inovar em práticas administrativas e pedagógicas da Corte, consolidando um legado de modernização e acessibilidade no STF.