A Aliança Democrática vence eleições em Portugal com avanço da ultradireita, marcando uma reconfiguração no cenário político do país. A coalizão de centro-direita liderada por Luís Montenegro, que inclui o Partido Social Democrata (PSD) e o CDS-Partido Popular, obteve cerca de 32% dos votos, conquistando 98 das 230 cadeiras do Parlamento português. O resultado representa um crescimento de 18 assentos em relação à legislatura anterior, mas ainda exige negociação com outros partidos para formar maioria.
Chega se torna segunda maior força política em Portugal
Apesar da vitória da Aliança Democrática (AD), o grande destaque das eleições foi o avanço do partido de ultradireita Chega, que saltou de 49 para 58 assentos, consolidando-se como a segunda maior bancada do Parlamento. Com aproximadamente 20% dos votos, o Chega empatou tecnicamente com o Partido Socialista (PS), que sofreu uma dura derrota, perdendo 20 cadeiras em relação às 78 que detinha anteriormente. A contagem dos votos no exterior ainda pode confirmar a ultrapassagem do PS pelo partido liderado por André Ventura.
Luís Montenegro resiste a alianças com a ultradireita
Durante toda a campanha, Luís Montenegro reafirmou sua recusa em formar qualquer tipo de aliança com o Chega. O premiê defendeu uma plataforma centrada na redução de impostos, no controle da imigração e em soluções para a crise habitacional que afeta o país. Além disso, negou qualquer irregularidade relacionada à empresa de sua família, tentando preservar sua imagem pública após questionamentos sobre sua integridade.
Nova eleição foi provocada por voto de desconfiança
A nova ida às urnas foi provocada após Montenegro perder o voto de confiança no Parlamento. Ele mesmo solicitou o julgamento da casa legislativa, após críticas e suspeitas de má conduta. Mesmo tendo vencido as eleições anteriores, em 2024, com 28,8% dos votos, a Aliança Democrática perdeu sustentação política, o que levou à convocação de novas eleições neste ano.
Parlamentares terão que negociar maioria
Com 98 assentos, a Aliança Democrática não alcança maioria absoluta, que exige pelo menos 116 votos. Portanto, Montenegro terá de negociar com outros partidos do centro ou da direita moderada para garantir a governabilidade. A pressão é ainda maior diante do crescimento expressivo da extrema direita no Parlamento.
Portugal sinaliza virada conservadora, mas com cautela
Embora o avanço da ultradireita em Portugal seja inegável, os resultados também indicam que grande parte do eleitorado optou por uma direita moderada, sem abraçar completamente discursos radicais. A postura firme de Montenegro contra alianças com o Chega pode ser vista como uma tentativa de barrar a normalização da extrema direita no poder.
A Aliança Democrática vence eleições em Portugal com avanço da ultradireita, mas o cenário político permanece instável. A necessidade de acordos parlamentares e a ascensão do Chega indicam uma legislatura desafiadora, onde o diálogo será essencial para evitar a radicalização do debate político no país.