Agente citou equipe armada e criticou Bolsonaro por recuar em suposta ordem para ação violenta
Em áudios investigados pela Polícia Federal (PF), o agente Wladimir Soares — envolvido na trama golpista — admitiu que um grupo estava pronto para prender ministros do STF e usar violência letal se necessário. Ele afirmou que a equipe iria “matar meio mundo” para executar o plano, mas acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter “dado para trás” no último momento.
As gravações, divulgadas pelo Portal G1 nesta quarta-feira (14), reforçam as investigações sobre o complô antidemocrático que visava derrubar as instituições em 2022.
Plano Incluía Prisão de Alexandre de Moraes e Ação Armada
Nos áudios, Wladimir Soares detalha que o grupo estava “preparado” para agir:
“A gente tava pronto para ir prender o [Alexandre] de Moraes. Eu ia estar na equipe, ia botar para f* nesse f*, mas não é assim. Esperávamos só o ok do presidente, uma canetada para a gente agir. Só que o presidente deu para trás”, disse o agente.
A declaração sugere que Bolsonaro seria a peça-chave para autorizar a operação, mas teria recuado. Soares ainda criticou o ex-presidente, afirmando que ele “faltou pulso” e foi “traído” por generais do Exército:
“Os generais foram lá e disseram que não iam mais apoiá-lo. Na realidade, o PT pagou para eles, comprou esses generais”, alegou, sem apresentar provas.
Bolsonaro é Réu e Pode ser Preso; STF Tem 21 Acusados
O ex-presidente já é réu no inquérito e corre risco de prisão por suposta participação no golpe frustrado. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tornou inelegível por declarações antidemocráticas.
Até agora, o STF já tornou 21 pessoas réus no caso, mas Wladimir Soares ainda não foi incluído — novos indiciamentos devem ocorrer. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já o havia denunciado por vazar informações sigilosas sobre a segurança do presidente Lula para aliados de Bolsonaro.
A PF aprofundou as investigações e concluiu que Soares “integrou uma organização criminosa” que tentou “abolir o Estado Democrático de Direito” em 2022.
Cronologia da Investigação
- Polícia Federal identificou os primeiros indícios do plano.
- Caso foi para a PGR, que apresentou denúncias.
- STF assumiu o processo e já definiu 21 réus.