O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15) para uma das sessões mais delicadas dos últimos anos. Os ministros vão decidir se as mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes justificam a abertura de uma investigação formal. O caso coloca a Corte na posição incômoda de avaliar conduta de um de seus próprios membros.
O que está em jogo no julgamento do STF
A sessão foi convocada para examinar o conteúdo reunido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular do empresário. Além de avaliar o mérito das mensagens, o plenário poderá anular o relatório da PF por falhas formais ou determinar o envio do material a outro subprocurador-geral da República, diferente de Paulo Gonet, para uma análise independente.
Nos bastidores, o placar é dado como apertado. A estimativa mais citada entre integrantes do tribunal aponta 4 votos a 3 pela abertura de algum tipo de apuração, conforme informações do G1.
Relator Fachin define os rumos da sessão
O presidente do STF, Edson Fachin, conduz o julgamento como relator. Caberá a ele abrir a discussão com um resumo dos fatos, definir as questões a serem decididas e apresentar seu voto após a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os demais ministros votam na sequência definida pelo regimento interno.
Fachin também enfrentará decisões preliminares sobre a validade do relatório da PF, o acesso às provas e os eventuais impedimentos de colegas.
Impedimentos reduzem plenário e aumentam tensão
Outro ponto sensível é a composição do plenário. A avaliação predominante nos corredores do STF é que Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam se declarar impedidos para evitar questionamentos sobre a imparcialidade da decisão. Dias Toffoli também não deverá votar, pois já se declarou suspeito em desdobramentos relacionados ao caso Master.
Com as ausências, o número reduzido de participantes aumenta o peso de cada voto individual e favorece a perspectiva de um resultado dividido.
Risco de vista pode empurrar decisão para 2027
A conclusão do julgamento pode ser adiada caso algum ministro peça vista. Nos bastidores, não se descarta a possibilidade de Gilmar Mendes apresentar o pedido logo após o voto de Fachin. Pelo prazo regimental de 90 dias, uma interrupção nessa fase transferiria o desfecho para fevereiro de 2027.
Diante desse risco, ministros favoráveis à apuração articulam a antecipação dos votos depois da manifestação do relator. A estratégia permitiria registrar publicamente uma eventual maioria pela abertura de investigação antes de uma possível suspensão.
Esquema de segurança sem precedentes
O STF adotou medidas rigorosas de segurança para a sessão. Advogados, jornalistas, assessores e funcionários passarão por detectores de metais e equipamentos de raio X. O uso de celulares será proibido no plenário. A primeira fila foi reservada para 13 ministros aposentados, entre eles dez ex-presidentes da Corte.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal reforçou o policiamento na Praça dos Três Poderes. Manifestações estão proibidas no local. O monitoramento inclui drones da Polícia Militar, câmeras de segurança e uma célula de inteligência criada em agosto para acompanhar a segurança de Brasília durante as eleições de 2026.