Simões Filho chega aos 64 anos. Uma cidade que nasceu com o sonho de crescer, de ser referência, de se orgulhar de si mesma. Hoje, as ruas estão enfeitadas, o hino é entoado com emoção e, no palanque, o discurso é o mesmo de sempre: “avançamos muito”. Aplausos. Fogos. Fotos. E o povo, como sempre, olha, acredita um pouco e volta pra casa com o mesmo buraco na rua, a mesma fila no posto de saúde, o mesmo ônibus lotado que não passa no horário.
Fala-se em investimentos milionários na Educação, e o número é bonito — mais de R$ 5 milhões. Mas o que a comunidade vê, no dia a dia, é outra conta: escolas com ventiladores quebrados, professores sobrecarregados e crianças que ainda estudam em salas improvisadas. É um contraste que dói. Porque a propaganda chega primeiro que o resultado.
Na Saúde, o enredo se repete. Constrói-se uma unidade com pompa, se corta a fita, faz-se foto e discurso, mas depois falta médico, falta remédio, falta cuidado. O prédio fica lá, novo por fora, esquecido por dentro. E o povo, que precisa do serviço, volta pra casa com a receita na mão e o remédio na farmácia que não é gratuita.
A cidade fala em progresso, mas o progresso de verdade não é o asfalto novo, nem o portal bonito na entrada. Progresso é quando o cidadão sente que a vida melhorou, que o filho estuda com dignidade, que a mãe tem atendimento digno, que o trabalhador volta pra casa em segurança.
Simões Filho merece festa, sim. Merece parabéns, porque sua história é feita de gente forte, de mulheres e homens que resistem, que trabalham, que sonham — mesmo quando o poder público insiste em viver de aparência.
Hoje, a cidade sopra as velas dos seus 64 anos. Que o vento desse sopro leve embora a maquiagem e traga de volta a verdade. Porque um novo tempo só começa quando a gente para de aplaudir o discurso e começa a cobrar o resultado.
Parabéns, Simões Filho.
Mas parabéns mesmo, pra quem ainda acredita — apesar de tudo.