Moradores apontam que ações da Prefeitura em ano eleitoral não resolvem o isolamento da comunidade
A Prefeitura de Simões Filho promove, nesta quinta-feira (23), mais uma edição do Projeto Social de Pós-Ocupação, na comunidade de Santo Antônio do Rio das Pedras. A ação, organizada pela Secretaria de Habitação (Sehab), promete levar serviços e orientações à população entre 8h30 e 12h, na Praça do Bom Viver. Apesar disso, moradores afirmam que o bairro segue isolado e carente de infraestrutura básica, mesmo após anos de promessas e anúncios públicos.
O que a Prefeitura promete com o projeto
- Ação da Sehab com equipes sociais;
- Atendimentos do CRAS e CREAS;
- Serviços de Cadastro Único e Igualdade Racial;
- Roda de conversa do CRAM sobre enfrentamento à violência contra a mulher;
- Apoio do Conselho Tutelar e demais secretarias.
Ações pontuais não mudam a realidade da comunidade
De acordo com o material divulgado pela Prefeitura, o Projeto Social de Pós-Ocupação faz parte do acompanhamento das famílias beneficiadas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com o objetivo de fortalecer vínculos com o poder público. No entanto, para muitos moradores, a presença das equipes públicas ocorre somente em períodos estratégicos, especialmente às vésperas de anos eleitorais.
Embora o evento leve serviços importantes, a comunidade denuncia que o bairro continua esquecido. Ruas esburacadas, transporte precário, falta de segurança e ausência de políticas públicas permanentes reforçam a percepção de que as ações são paliativas e eleitoreiras.
Moradores questionam intenções políticas
Para alguns residentes, a chegada das ações sociais às vésperas da eleição desperta desconfiança. Eles afirmam que, nos últimos anos, o bairro só recebe atenção quando há interesse político em jogo. A presença de aliados da deputada Kátia Oliveira, apontada como possível beneficiária da visibilidade gerada por essas iniciativas, tem reforçado a ideia de que o projeto faz parte de uma estratégia de marketing eleitoral, não de política pública contínua.
“Vêm, tiram fotos, fazem discursos e depois desaparecem”, relata uma moradora da localidade, que preferiu não se identificar. “A gente quer asfalto, iluminação e transporte, não promessas repetidas.”
Promessas antigas, resultados escassos
Apesar de ter sido anunciado como modelo de integração social, o projeto ainda não resolveu problemas básicos do bairro. Parte das ações anunciadas em 2023 ainda não foi concluída, e a população afirma que nada mudou de forma efetiva. Nesse contexto, o discurso de fortalecimento de políticas públicas soa contraditório diante da realidade visível: um bairro carente, esquecido e sem perspectiva de melhorias duradouras.
Além disso, líderes comunitários ressaltam que o isolamento de Santo Antônio do Rio das Pedras dificulta o acesso aos serviços públicos, o que torna insuficiente a presença eventual da Prefeitura. O sentimento predominante é o de que a gestão municipal aparece apenas para cumprir agenda política.
Eleições e a tentativa de reconstruir imagem
À medida que o ano eleitoral se aproxima, cresce a percepção de que as ações da Prefeitura são usadas como palco político. A deputada Kátia Oliveira, ligada à base governista, aparece associada a essas movimentações. O que seria uma política social permanente parece se transformar em campanha disfarçada, onde a entrega simbólica de serviços busca reconstruir uma imagem já desgastada perante os moradores.
Enquanto a administração tenta mostrar avanços, o povo do bairro ainda enfrenta os mesmos problemas estruturais de anos anteriores. O contraste entre o discurso de progresso e a realidade cotidiana expõe o abismo entre o marketing político e o bem-estar social real.
O bairro pede presença, não promessas
A comunidade de Santo Antônio do Rio das Pedras segue pedindo algo simples: respeito e continuidade nas ações públicas. Moradores afirmam que desejam ver o mesmo empenho demonstrado nas redes sociais e eventos sendo aplicado na melhoria da vida real.
Em um ano eleitoral, a população se mostra mais atenta e menos disposta a aceitar promessas antigas disfarçadas de novidade. Santo Antônio quer progresso de verdade, não visitas eleitorais.