A Prefeitura de Simões Filho realiza nesta quinta-feira, 29 de maio, às 9h, mais uma Audiência Pública Simões Filho, desta vez para apresentar os Relatórios de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre de 2025. O evento, promovido pela Secretaria da Fazenda (SEFAZ), acontecerá na Câmara de Vereadores e é aberto ao público.
A iniciativa, prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), tem como objetivo dar transparência ao uso dos recursos públicos. Mas a população se pergunta: de que adianta mostrar números se a realidade nas ruas continua a mesma?
Quase R$ 4 bilhões passaram pela prefeitura — e a cidade segue abandonada
Essa não é a primeira vez que relatórios são apresentados com pompa institucional. Durante os dois mandatos do ex-prefeito Diógenes Tolentino (Dinha), inúmeras audiências semelhantes foram realizadas. Os dados, sempre técnicos e padronizados, mostravam arrecadações recordes e promessas de equilíbrio fiscal.
Mas o que ficou para a cidade após quase R$ 4 bilhões passarem pelos cofres municipais? Escolas sucateadas, postos de saúde sem estrutura, bairros inteiros sem saneamento e um sentimento generalizado de que Simões Filho é uma cidade sem gestão.
A nova gestão repete a liturgia do poder, mas ignora o que realmente importa
A atual administração, herdeira direta do grupo político anterior, tem mantido a mesma linha: mostra números, mas não apresenta resultados práticos. Os problemas se acumulam, a população não vê melhorias e cresce a sensação de que a máquina pública opera em piloto automático.
A Audiência Pública Simões Filho virou, para muitos, um ritual burocrático que só serve para cumprir a lei. Enquanto isso, os moradores enfrentam o transporte precário, unidades de saúde sem médicos e uma educação que clama por investimentos sérios.
Crise política: até nove vereadores podem perder o mandato nas próximas semanas
Outro fator que torna essa audiência ainda mais significativa é o momento político instável da Câmara Municipal. Está para ser julgado nas próximas semanas o processo que investiga fraude na cota de gênero nas eleições de 2024.
Se a Justiça confirmar as irregularidades, nove vereadores eleitos poderão perder seus mandatos, provocando uma reviravolta na composição legislativa da cidade. A possível cassação abrirá espaço para suplentes e ex-candidatos, tornando o ambiente político ainda mais volátil.
Hora de ex-candidatos e lideranças mostrarem que estão atentos
Diante desse cenário, a audiência pública se torna uma excelente oportunidade para que suplentes e ex-candidatos a vereador se posicionem, participem do debate e demonstrem preparo para ocupar o espaço político que pode surgir.
A presença ativa desses nomes envia um recado claro: a sociedade está de olho e pronta para fiscalizar não só os gastos da prefeitura, mas também quem ocupa ou pretende ocupar cargos públicos.
Simões Filho precisa mais que planilhas — precisa de gestão com resultado
É legítimo e necessário apresentar relatórios. Mas a gestão pública precisa ir além das planilhas. A população exige resultados concretos, investimentos reais e respostas visíveis nas ruas. Se o discurso da transparência não vier acompanhado de mudanças práticas, tudo não passa de teatro institucional.
Simões Filho precisa romper com o ciclo da omissão e cobrar responsabilidade de quem ocupa o poder. A Audiência Pública Simões Filho é mais uma chance de fazer isso — ou mais uma oportunidade perdida, se não houver pressão popular.