Relato atribui declaração ao candidato democrata pelo Texas; viagem do senador e supostas restrições judiciais precisam de confirmação documental.
Uma publicação atribuída a Isaiah Martin, apresentado como candidato democrata ao Congresso dos Estados Unidos pelo Texas, defende a deportação do senador Flávio Bolsonaro. Segundo o relato fornecido, a declaração foi feita no X, em resposta a uma mensagem sobre uma suposta viagem do parlamentar brasileiro aos EUA.
“Nós o deportaremos no primeiro dia”, teria escrito Martin. O material, porém, não apresenta o endereço da publicação original nem documentos que permitam confirmar as circunstâncias descritas.
O que teria dito Isaiah Martin
De acordo com o relato, Martin respondeu a Simón Levy, que teria afirmado que Flávio deixou o Brasil e estaria sob proteção nos Estados Unidos.
A mensagem atribuída ao democrata também sugere que autoridades brasileiras buscassem o senador “no meio da noite, de helicóptero” e inclui a afirmação de que ele “nunca trabalhou na vida”.
Essas expressões são ataques políticos atribuídos ao candidato, não conclusões factuais sobre o senador. Da mesma forma, declarações que classificam integrantes da família Bolsonaro como criminosos não demonstram, por si só, condenação criminal ou irregularidade migratória.
Uma promessa feita por um candidato ao Congresso também não equivale a uma ordem de deportação. Medidas dessa natureza dependem das autoridades competentes e dos procedimentos previstos na legislação americana.
Viagem e decisões judiciais exigem confirmação
O texto-base afirma que Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes e não deixar o Brasil.
Também relata que a Polícia Federal teria cancelado os documentos e iniciado buscas pelo senador. Entretanto, não apresenta a decisão judicial, uma manifestação oficial da PF ou a identificação do processo mencionado.
O material cita ainda uma suposta confirmação à Reuters por uma fonte do governo americano, mas não fornece a reportagem correspondente. A hipótese de passagem pela Argentina também aparece sem documentação que esclareça a rota.
Sem essas referências, não é possível apresentar como confirmados a viagem, o descumprimento de uma ordem judicial ou o cancelamento dos passaportes. Tampouco há elementos suficientes para classificar o senador como fugitivo ou afirmar que recebeu proteção do governo americano.