Em sessão tensa na Câmara de Vereadores de Simões Filho, o vereador Orlando de Amadeu reagiu com irritação aos questionamentos do vereador Genivaldo Lima sobre os gastos da gestão do ex-prefeito Diógenes Tolentino – Dinha. Com dedo em riste, Orlando gritou: “Chega de falácia, vereador Genivaldo! O povo não é otário!”, ao tentar justificar os R$ 4 bilhões arrecadados e gastos em oito anos pela antiga administração.
R$ 2,16 bilhões só com folha de pagamento?
Ao buscar justificar o destino dos R$ 4 bilhões, Orlando de Amadeu afirmou que 54% dos recursos teriam sido destinados à folha de pagamento de servidores públicos, o que representa R$ 2,16 bilhões. No entanto, essa afirmação levantou ainda mais dúvidas, pois com essa declaração, fica evidente que uma minoria em cargos comissionados recebeu supersalários, enquanto a maioria dos servidores ganhava apenas um salário mínimo.
Com esse mesmo valor, Genivaldo Lima listou o que poderia ter sido feito para transformar Simões Filho:
- 7.200 ônibus escolares
- 7.714 ambulâncias equipadas
- 432 escolas com estrutura completa
- 86 hospitais de médio porte
- 864 creches públicas
- 18 mil poços artesianos
- 21.600 casas populares
- 1.800 quilômetros de ruas asfaltadas
Saúde: onde foram parar os outros 20%?
Ainda segundo o vereador Orlando de Amadeu, 20% dos recursos (R$ 800 milhões) teriam sido investidos em saúde. Mas a realidade vivida pela população contrasta essa narrativa. Em áudios vazados no WhatsApp, um dos próprios vereadores da base admite: “A saúde de Simões Filho está daquele jeito”.
Com R$ 800 milhões seria possível:
- Comprar mais de 2.900 ambulâncias
- Construir 32 hospitais e 160 UPAs
- Equipar 320 postos de saúde
- Reformar 400 unidades de saúde
- Adquirir ultrassons, tomógrafos, mamógrafos e até ressonâncias magnéticas
- Implantar programas de saúde para mulheres, crianças e idosos
- Levar atendimento odontológico e ginecológico móvel para bairros distantes
Nada disso é realidade no cotidiano da cidade.
Educação: dinheiro teve, mas o povo não viu
Ainda na sua explanação, Orlando de amadeu também justificou os investimentos em educação, apontando que 20% dos R$ bilhões foram usados na educação. Para efeito ilustrativo, Se R$ 800 milhões (20% dos R$ 4 bilhões) tivessem sido investidos de forma eficiente, Simões Filho poderia ter:
- 160 escolas novinhas
- 320 creches públicas
- 400 reformas escolares completas
- 320 mil kits escolares
- 160 laboratórios de informática
- Alimentação de qualidade para 200 mil alunos
- Bibliotecas públicas e livros para todas as idades
- 2.666 ônibus escolares
- 20 centros de formação técnica
Mas a realidade é bem diferente: escolas com estrutura precária, falta de merenda, transporte escolar irregular e profissionais desvalorizados.
O incômodo com a verdade e a tentativa de calar a fiscalização
Orlando de Amadeu partiu para o ataque direto ao vereador Genivaldo Lima por visitar escolas, postos de saúde e registrar e publicar em suas redes sociais, os problemas encontrados. Ao afirmar que “o povo não tem medo do seu esquadrão que tá invadindo escolas e postos”, Orlando tenta desqualificar a função constitucional do vereador: fiscalizar o uso do dinheiro público.
Fato é que, as visitas de Genivaldo Lima têm exposto a dura realidade de uma cidade abandonada, aproximando o povo da política e mostrando onde estão os erros e omissões da atual e da antiga gestão.
Oposição forte incomoda quem estava acostumado com a “Câmara do Amém”
Durante a gestão passada, a Câmara era conhecida como a “Câmara do Amém”, onde tudo era aprovado sem questionamento. Agora, com a atuação firme da oposição, a base do prefeito Del do Cristo Rei mostra sinais de descontrole da narrativa.
De fato, Orlando de amadeu etá certo quando diz que “O povo não é otário”. O povo está acordando.” E como lembrou Genivaldo Lima em entrevista ao Tudo é Política: “Fiscalizar não é invasão. Fiscalizar é obrigação!”
Contradição histórica e memória seletiva
Um ponto que não tem passado despercebido da população, é a mudança de postura do vereador Orlando de Amadeu. Durante os anos de mandato do ex-prefeito e hoje deputado estadual Eduardo Alencar, Orlando foi líder do governo na Câmara e um dos principais defensores da gestão. Hoje, tenta desqualificar aquela administração, atribuindo-lhe falhas graves, mesmo tendo sido parte direta dela.
Essa mudança de discurso vem senod constantemente apontada por diversas pessoas ouvidas pelo Tudo é Política como uma tentativa de apagar o próprio histórico político. “É fácil hoje dizer que o governo passado foi ruim, mas na época ele era o líder. A cidade não esquece. É preciso coerência”, afirmou um ex-assessor parlamentar.
Informação é poder.
A tentativa de marginalizar o trabalho da oposição está sendo vista como uma estratégia para manter parte da população desinformada e alienada. Ao ser perguntado sobre como ele recebeu a alegação de que ele está invandido escolas e postos médicos com um esquadrão, Genivaldo Lima respondeu: “A verdade, quando chega, liberta. Em tempos onde R$ 4 bilhões somem sem transformar a cidade, a fiscalização precisa ser defendida, não combatida.”
As falas do vereador Genivaldo e os dados apresentados na sessão provocaram reações nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Para muitos moradores, os números revelam um padrão de gestão que priorizou cargos, supersalários e gratificações — enquanto o povo ficou à margem.
A preocupação crescente é: onde foi parar o dinheiro que poderia ter mudado a vida da população?
Se por anos a cidade caminhou sem uma oposição efetiva, agora a fiscalização começa a revelar uma realidade que muitos tentaram esconder.
E você, morador de Simões Filho:
O que daria para fazer na sua comunidade com R$ 2,16 bilhões?