Em vez de lutar pelo povo, deputados e senadores bolsonaristas decidiram usar seus mandatos para uma missão mais urgente: salvar a família Bolsonaro.
No dia seguinte à decretação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, parlamentares da direita e parte do Centrão se mobilizaram não para defender projetos que beneficiem a população, mas para travar o Congresso Nacional.
Obstrução com foco pessoal
Em uma coletiva de imprensa do lado de fora do Congresso, o grupo anunciou uma estratégia de obstrução total das votações até que três pautas de interesse direto do ex-presidente e seus aliados avancem:
- Anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro;
- Fim do foro privilegiado para parlamentares, o que tiraria políticos do alcance do STF;
- Impeachment do ministro Alexandre de Moraes, responsável por investigações contra Bolsonaro.
Nenhuma dessas propostas tem ligação direta com o cotidiano do povo brasileiro — são prioridades exclusivas do núcleo bolsonarista, que tenta a todo custo blindar o ex-presidente e seus familiares de investigações e punições.
Protesto vazio e prejuízo ao país
Na prática, os parlamentares estão impedindo o funcionamento da Câmara e do Senado. Ontem, ocuparam as Mesas Diretoras e usaram esparadrapos na boca em um protesto teatral. Um deles chegou até a subir na tribuna com um crucifixo nas mãos, em uma tentativa de transformar o Congresso em palco de espetáculo político.
Diante da confusão, as sessões foram oficialmente canceladas por Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, presidentes do Senado e da Câmara, que repudiaram a atitude da oposição. Reuniões com líderes partidários estão marcadas para hoje.
Base do governo reage
Parlamentares governistas também reagiram. Em coletiva, criticaram a obstrução e acusaram os bolsonaristas de estarem “contra o Brasil”, impedindo o andamento de projetos importantes para a população enquanto continuam recebendo salários pagos com dinheiro público.
A paralisia mostra com clareza: para a oposição bolsonarista, salvar a própria pele vale mais do que aprovar medidas para o povo. Enquanto isso, temas como saúde, educação, segurança e geração de empregos seguem em segundo plano — ou completamente esquecidos.