Na manhã desta sexta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um episódio chocou o centro de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Enquanto fazia compras em uma loja de moda, uma mãe viu o filho de 4 anos ser impedido de usar o banheiro do estabelecimento. A criança, desesperada, acabou defecando na rua, exposta ao olhar de transeuntes.
O caso foi exposto pelos pais da criança em vídeo nas redes sociais. Em contato com a reportagem do Tudo é Política, o pai do garoto relatou que a criança avisou repetidamente que precisava usar o banheiro. “Ela gritava ‘mamãe, cocô!’, mas as atendentes disseram que o sanitário era apenas para funcionários“, contou. Sem alternativa, a família – pai, mãe e filho – correram pelas ruas do centro em busca de um banheiro público, mas não houve tempo hábil.
Cena constrangedora e possível trauma psicológico
A cena da criança chorando, nú da cintura para baixo, gerou revolta. “Meu filho repetia ‘todo mundo tá me olhando’. Isso marcou ele psicologicamente“, lamentou a mãe, que declarou que agora deverá buscar acompanhamento psicológico para o filho.
O pai da criança também expressou indignação. “É inaceitável que um estabelecimento comercial não tenha empatia por uma criança de 4 anos. Isso mostra o quanto o comércio local não valoriza seus clientes“, afirmou.
O Que diz a legislação? ECA e Direitos da Criança
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/1990) é claro ao estabelecer que crianças têm direito à dignidade, respeito e proteção integral (Art. 4º). Negar o acesso a um banheiro em situação de emergência pode ser interpretado como violação desses direitos, especialmente quando resulta em constrangimento público.
Além disso, a Lei 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) e o Código de Defesa do Consumidor (CDC – Lei 8.078/1990) reforçam que estabelecimentos devem priorizar o bem-estar de seus clientes, incluindo crianças. Negar banheiro a uma criança em emergência é violação da dignidade humana e pode configurar dano moral.
Comércio local em Simões Filho: Críticas e contradições
O caso reacende o debate sobre a postura do comércio local, que frequentemente critica a população por preferir shoppings em Salvador, a 22 km da cidade. “É hipocrisia reclamar que não valorizamos o comércio daqui, mas tratar clientes com tanto descaso“, desabafou uma moradora nas redes sociais.
Esse episódio é um alerta. Os estabelecimentos comerciais de Simões Filho precisam entender que atender bem os clientes é essencial para fidelizá-los. Casos como esse só afastam as pessoas.
Família avalia ações judiciais e busca justiça
Os pais da criança afirmaram que estão avaliando entrar com uma ação por danos morais contra a loja. “Vamos acionar o Procon e a Justiça. Não podemos normalizar esse desrespeito”, disse.
O caso também ganhou repercussão nas redes sociais. Veja abaixo: