A manhã desta sexta-feira (7) foi marcada pela celebração da tradicional missa em ação de graças pelos 64 anos de emancipação política de Simões Filho, realizada na Paróquia São Miguel de Cotegipe. O templo ficou cheio, demonstrando a força e a fé da comunidade católica, que mais uma vez manteve viva uma das tradições mais antigas e simbólicas da cidade.
Apesar da presença maciça dos fiéis, a celebração chamou atenção por algo que faltou: a presença do prefeito Del do Cristo Rei e dos vereadores. O que deveria ser um momento de união entre fé e poder público acabou se transformando em símbolo do distanciamento das autoridades municipais das tradições religiosas que moldaram a identidade cultural de Simões Filho.
Durante décadas, a missa foi marcada pela presença de gestores, lideranças políticas e comunitárias que entendiam a importância desse gesto simbólico. Desta vez, porém, a ausência coletiva da classe política soou como um gesto de indiferença e até de desrespeito à comunidade católica — uma das mais ativas e numerosas da cidade.
Fiéis e lideranças locais lamentaram o episódio e o interpretaram como mais um sinal do avanço silencioso do radicalismo religioso e político, que vem afastando a gestão municipal das tradições populares. Assim como o sapo na panela com água fria, que não percebe o perigo até ser tarde demais, o povo de Simões Filho parece assistir, pouco a pouco, ao esfriamento das manifestações culturais e religiosas que sempre deram identidade à cidade.
A missa, celebrada pelo Pároco Padre Fernando, foi marcada por emoção e orações pela cidade. Em sua homilia, ele destacou o papel da fé e da união. “Simões Filho é uma terra abençoada, um lugar de paz e união. Que Deus continue a abençoar grandiosamente cada simõesfilhense, dando paz e saúde. Viva Simões Filho, cidade acolhedora e farta”, disse.
As palavras do padre foram recebidas com aplausos, mas o contraste entre a fé do povo e o silêncio das autoridades ausentes deixou uma sensação amarga. O gesto de ausência parece pequeno, mas carrega um significado profundo: o de um governo que se afasta das tradições, deixando que o tempo e o radicalismo apaguem, lentamente, as marcas da identidade de Simões Filho.