Convênio delega à Codeba a administração da hidrovia por 25 anos. Expectativa do governo é iniciar intervenções no segundo semestre de 2027.
O São Francisco ganhou uma nova perspectiva para o transporte de cargas. Mas há uma diferença importante entre o acordo firmado em Brasília e a navegação comercial que o governo pretende retomar: a execução das intervenções.
Nesta quarta-feira, 4 de novembro, o governador Jerônimo Rodrigues acompanhou a formalização do convênio entre o Governo da Bahia e o Ministério de Portos e Aeroportos. O instrumento delega à Companhia das Docas do Estado da Bahia, a Codeba, a gestão da Hidrovia do Rio São Francisco.
A vigência será de 25 anos. Já o início das intervenções, segundo a expectativa apresentada pelo governador, está previsto para o segundo semestre de 2027.
GESTÃO POR 25 ANOS: O QUE MUDA
O convênio transfere à Codeba responsabilidades de administração, operação, manutenção, conservação e restauração da hidrovia, identificada como HN-500.
Também estão incluídas a Eclusa de Sobradinho e as Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte previstas no acordo.
A proposta é melhorar as condições de navegabilidade e a segurança do transporte fluvial. Isso cria uma base administrativa para a retomada comercial, mas não significa que ela já esteja em funcionamento.
CARGAS NO RIO, EXPECTATIVA NA ECONOMIA
Frutas, grãos, algodão e insumos estão entre os produtos apontados como possíveis beneficiários da retomada da navegação.
Para quem produz e precisa transportar mercadorias, a perspectiva é ampliar as alternativas de escoamento e a integração regional. O resultado concreto, porém, dependerá das condições de operação da hidrovia.
O material divulgado não informa valores de investimento, metas de movimentação de cargas nem uma data para a retomada comercial.
O PRAZO QUE MERECE ACOMPANHAMENTO
Jerônimo apresentou o acordo como parte de uma estratégia de integração dos transportes na Bahia.
“Nossa expectativa é que, no segundo semestre de 2027, tenham início as intervenções previstas. Estamos trabalhando para integrar cada vez mais a logística da Bahia, conectando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e também a hidrovia do São Francisco”, afirmou.
A declaração estabelece uma expectativa, não uma garantia de início das obras. A próxima etapa será acompanhar o detalhamento das intervenções e sua execução.
ILHÉUS TAMBÉM ENTROU NA PAUTA
Na reunião com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o governador também discutiu melhorias para a infraestrutura aeroportuária baiana.
Um dos assuntos foi a implantação do EMAS, sistema de desaceleração de aeronaves, na cabeceira 29 do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus.
A tecnologia contribui para a segurança em situações nas quais uma aeronave ultrapassa o fim da pista. O texto fornecido não apresenta prazo ou investimento para sua implantação.
Na hidrovia, o passo administrativo foi dado. Agora, a atenção se volta para como — e quando — o acordo se transformará em condições efetivas de navegação.