Após uma semana de intensas negociações, os líderes da Câmara dos Deputados ainda buscam um consenso sobre o comando das comissões permanentes. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumiu o papel de mediador e prometeu definir os espaços até esta quinta-feira (13). O maior impasse gira em torno da Comissão de Relações Exteriores (Creden), cuja liderança o PL, partido de Jair Bolsonaro, deseja entregar ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Disputa pela Creden e Estratégias Políticas
A Creden é uma das comissões mais estratégicas da Câmara, responsável pelas relações diplomáticas e consulares com governos e entidades internacionais. Para a direita, o colegiado ganha relevância adicional devido à possibilidade de interlocução com os Estados Unidos, especialmente com o governo de Donald Trump, com quem os bolsonaristas mantêm alinhamento.
Eduardo Bolsonaro, que já foi acusado de levar informações estratégicas do Brasil aos EUA, tem usado a comissão para defender o pai em eventos internacionais e promover campanhas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O PT, por outro lado, sinalizou interesse em assumir a Creden ou articular para que outro partido de centro ocupe o espaço. O partido de Lula também pediu ao STF a apreensão do passaporte de Eduardo, acusando-o de tentar influenciar o governo americano contra os interesses nacionais.
Hugo Motta e o Critério da Proporcionalidade
O presidente da Câmara, Hugo Motta, reconheceu que o critério da proporcionalidade será adotado a favor do PL, que possui a maior bancada da Casa, com 99 deputados. Ele afirmou que a distribuição das comissões segue uma praxe regimental e não há como interferir nesse processo.
“Eu não acredito que haja razão para uma crise (a nomeação de Eduardo), até porque essa distribuição pelos partidos das comissões é uma coisa que já é conhecida por todos. É uma praxe regimental, não há muito o que o presidente fazer, o que outros partidos fazerem. Isso se dá pelo tamanho de cada bancada, não tem nenhuma novidade nisso, não há como interferir, não há como mudar”, declarou Motta.
Outras Comissões em Jogo
Além da Creden, o PL também deve ficar com a Comissão de Saúde, que possui um dos maiores orçamentos e potencial de distribuição de emendas para prefeituras. O apoio de prefeitos é considerado crucial para o fortalecimento de bases locais nas eleições de 2026.
Caso o PL insista na Creden, o PT deve solicitar a Comissão de Educação. Outro embate envolve a relatoria do Orçamento de 2026, disputada entre União Brasil e MDB. O União tem preferência por ter mais deputados, mas os emedebistas reclamam que o partido foi um dos últimos a apoiar a aliança que elegeu Hugo Motta.
Impacto das Comissões no Jogo Político
Com R$ 11,5 bilhões em emendas disponíveis, as comissões da Câmara são peças-chave no jogo político, influenciando desde alianças partidárias até a distribuição de recursos para municípios. O PSD, que está no fim da fila para escolha de comissões, enfrenta resistência do PL para manter o comando da Comissão de Minas e Energia. Já o Republicanos deve ficar com as comissões de Viação e Transportes e Comunicação, pastas que controla há anos.
A disputa pelas comissões da Câmara reflete a complexidade do jogo político no Congresso. Enquanto o PL busca consolidar sua influência em áreas estratégicas, como a Creden, outros partidos, como o PT e o MDB, tentam garantir espaços que fortaleçam suas bases eleitorais. A mediação de Hugo Motta será crucial para evitar crises e garantir uma distribuição equilibrada de poder.