A herança administrativa de Dinha pressiona Del do Cristo Rei a romper práticas antigas e buscar apoio do governo Jerônimo e Lula para estabilizar a cidade.
A entrevista do ex-vereador e atual coordenador da 25ª Ciretran, Sandro Moreira, ao podcast PodPensar, apresentado por Eddy Carvalho e Wilson Cardoso, reacendeu um debate que vinha sendo empurrado para baixo do tapete: a estrutura que Del do Cristo Rei recebeu ao assumir a Prefeitura de Simões Filho. E, ao analisar o conteúdo da conversa, fica claro que os pontos levantados ali ajudam a entender por que a reforma administrativa anunciada pelo atual prefeito se tornou inevitável.
Sandro foi direto ao afirmar que Del herdou uma máquina pública endividada, cheia de vícios e extremamente difícil de conduzir, responsabilizando abertamente o ex-prefeito Dinha pela situação. Mesmo sem citar a palavra “reforma”, a descrição feita por ele aponta para um cenário que explica a necessidade da mudança: não se trata apenas de reorganizar cargos, mas de romper com o modelo herdado.
A reforma como divisor de águas entre passado e futuro
Ao completar o primeiro ano de mandato, Del encara uma escolha que deixou de ser política e passou a ser de sobrevivência:
ou rompe de vez com os vícios da gestão anterior, ou continuará preso à estrutura montada por Dinha — que, segundo a análise, parece ter deixado um terreno fértil para desgastes e travamentos.
A reforma anunciada para os próximos dias não representa apenas trocar nomes ou realocar secretários. Ela marca o início de um reposicionamento político e administrativo, onde Del precisa assumir sua própria linha de governo sem a sombra do antecessor.
Romper com Dinha, portanto, é menos sobre pessoas e mais sobre práticas. É sobre interromper lógicas internas que paralisam a máquina pública, travam resultados e mantêm a cidade em atraso.
Herdar uma prefeitura difícil muda a lógica da gestão
O relato trazido por Sandro indica que Del começou a gestão sem a clareza total do que o aguardava. Dívidas, amarras e uma estrutura fragilizada criaram uma espécie de armadilha administrativa, deixando pouca margem para ações rápidas.
Quando um prefeito inicia o mandato com limitações herdadas, cada erro ou atraso parece ser dele — e não do passado. A pressão se acumula, enquanto o desgaste político cresce. É esse ambiente que faz da reforma uma necessidade e não uma escolha.
Reforma sem transparência interna não funciona
Embora a entrevista não trate de reforma diretamente, ela toca em um ponto essencial: uma gestão só consegue mudar algo quando enxerga a realidade por completo.
Se assessores suavizam problemas para “proteger” o prefeito, criam uma bolha que impede diagnósticos corretos. E uma reforma construída sobre versões filtradas tem grande chance de fracassar antes mesmo de começar.
Del só terá sucesso se tiver coragem de enfrentar os dados reais, não as versões confortáveis que costumam circular nos bastidores da Prefeitura.
O papel insubstituível da imprensa na estabilidade da gestão
Em cidades onde a equipe interna evita expor problemas, o jornalismo se torna o principal sensor externo capaz de mostrar o que a gestão não vê ou não quer ver.
A imprensa crítica não derruba governos — derruba erros.
É quando o prefeito ignora alertas que os erros se tornam crises.
Uma comunicação pública madura entende que crítica técnica é aliada, não ameaça. Quando o governo relega a transparência e prioriza apenas canais elogiosos, perde capacidade de diagnóstico e de correção.
Reforma administrativa exige também reforma de postura diante da informação.
Publicidade institucional não pode premiar silêncio
Outra questão essencial é a forma como a Prefeitura distribui seus recursos de comunicação. Concentrar verbas apenas em veículos alinhados gera cegueira política e administrativa. A cidade perde diversidade informativa e o prefeito perde referências confiáveis.
Se a gestão quer romper com práticas antigas, precisa rever também a forma como se relaciona com a mídia. Informação crítica não é incômoda: é estratégica.
Para sobreviver politicamente, Del precisa de mais que reforma: precisa de alinhamento
A análise da entrevista de Sandro revela uma conclusão importante: a situação deixada por Dinha empurra Del para uma direção clara — aproximar-se de Jerônimo Rodrigues e Luiz Inácio Lula da Silva.
Não se trata apenas de alinhamento partidário.
É questão de sobrevivência administrativa e política.
Com a máquina fragilizada, a única forma de entregar obras, atrair recursos e reequilibrar a cidade é contar com o apoio do Governo do Estado e do Governo Federal.
Romper com o passado e abrir uma nova fase exige aliados fortes. E Del parece estar caminhando nessa direção.
Reforma não salva governos — mas a verdade salva reformas
Ao final de tudo, o recado é simples:
Del tem em suas mãos a chance de virar a página e começar um novo ciclo em Simões Filho. Mas, para isso, precisa unir duas forças essenciais:
verdade interna e imprensa externa.
Sem uma equipe que diga o que precisa ser dito e sem jornalistas que mostrem o que a máquina não enxerga, qualquer reforma vira apenas maquiagem.
Se Del quer estabilidade, legado e autonomia, precisa enfrentar a realidade como ela é — porque a coragem para encarar a verdade é o que sustenta governabilidade, e não um novo organograma.