O general da reserva Mário Fernandes admitiu nesta quinta-feira (24), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que foi o autor de um documento intitulado “Punhal Verde e Amarelo”, que detalhava um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A confissão ocorreu durante o interrogatório no processo da Ação Penal 2668, que apura a tentativa de golpe de Estado supostamente comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados.
Documento golpista foi impresso, diz general
De acordo com Fernandes, o plano não passou de um “pensamento” que acabou sendo redigido e impresso. Ele confirmou que digitalizou e imprimiu o texto, mas negou que tenha compartilhado o conteúdo com terceiros.
Apesar da negativa sobre o compartilhamento, o general faz parte do chamado “núcleo 2”, que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), era responsável pelo gerenciamento das ações golpistas que buscavam impedir a posse do presidente eleito Lula, em janeiro de 2023.
A audiência foi transmitida ao vivo pelo STF e começou por volta das 9h da manhã.

Filipe Martins e Silvinei Vasques também foram ouvidos
Além de Mário Fernandes, também prestaram depoimento:
- Filipe Martins, ex-assessor internacional de Bolsonaro, acusado de participar das articulações golpistas;
- Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), investigado por interferência no segundo turno das eleições;
- Ailton Barros, ex-major do Exército;
- Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército;
- Reginaldo Abreu, coronel da reserva;
- Carlos Moretzsohn Rocha, do Instituto Voto Legal.
Segundo a PGR, Martins e os militares faziam parte do núcleo 2, ligado ao comando e estrutura do plano golpista, enquanto Rocha e outros compõem o núcleo 4, voltado à propagação de desinformação contra o sistema eleitoral.
O que é o “Punhal Verde e Amarelo”
O documento citado por Fernandes, chamado de “Punhal Verde e Amarelo”, detalhava supostos passos para neutralizar lideranças do Judiciário e do Executivo por meio da violência. A peça é considerada prova material do nível de radicalização de parte do grupo que atuou para sabotar o resultado das urnas.
Segundo investigadores, a existência do plano mostra que a tentativa de golpe foi além das articulações institucionais, chegando a cogitar execuções físicas de autoridades da República.