Em entrevista a Ataíde Barbosa, articulador da oposição atribuiu parte do resultado à atuação do prefeito e disse não enxergar sinais concretos de separação entre Del e Dinha.
Participar de caminhadas e vestir a camisa de uma candidatura significa assumir, de fato, sua articulação política? Foi essa distinção que Ferdinand Andrade colocou no centro das críticas ao prefeito Del Soares ao analisar o desempenho de Kátia Oliveira em Simões Filho.
Na entrevista ao programa Panorama de Notícias, apresentado por Ataíde Barbosa, nesta terça-feira (13), o articulador atribuiu parte da não reeleição da deputada à condução política da campanha no município. Também questionou os rumores de rompimento entre Del e o ex-prefeito Dinha Tolentino.
Declaradamente integrante da oposição municipal, Ferdinand apresentou sua interpretação sobre os resultados eleitorais e revelou ter participado de conversas para aproximar Del do governador Jerônimo Rodrigues.
Queda na votação de Kátia vira cobrança a Del
Segundo os números apresentados por Ferdinand durante a entrevista, Kátia passou de aproximadamente 26,4 mil votos em Simões Filho, em 2022, para cerca de 14,7 mil em 2026.
O articulador considerou essa redução decisiva para o resultado estadual. Conforme sua estimativa, a deputada teria ficado a aproximadamente 7 mil votos da reeleição.
Os dados foram citados pelo entrevistado e não estão acompanhados de documentação eleitoral no material utilizado nesta reportagem.
“Essa queda de 12 mil votos está na fatura dele também”, afirmou, referindo-se a Del.
Ataíde Barbosa contrapôs a avaliação ao lembrar que o prefeito participou de caminhadas, vestiu a camisa da campanha e apareceu publicamente ao lado da parlamentar.
Ferdinand respondeu que presença em eventos não equivale, necessariamente, a envolvimento efetivo na organização eleitoral.
“Entre vestir camisa e cair na campanha é diferente.”
A cobrança expressa a avaliação política do entrevistado. A redução de votos, isoladamente, não comprova responsabilidade individual do prefeito pelo resultado.
Ferdinand não vê rompimento entre Del e Dinha
O articulador também contestou a interpretação de que Del e Dinha estariam politicamente separados.
Como argumento, mencionou a permanência de pessoas ligadas ao ex-prefeito na administração municipal, incluindo o filho de Dinha na Secretaria de Esportes.
“Para mim, não tem rompimento”, declarou.
Na leitura de Ferdinand, a ocupação desses espaços indica continuidade da relação política. Ele sugeriu que as duas lideranças poderiam preservar interesses comuns, mas não apresentou confirmação de um acordo entre elas.
Ao analisar a não reeleição de Kátia, o entrevistado afirmou que o mandato oferecia a Dinha uma estrutura de articulação dentro e fora de Simões Filho.
“Ele perde essa articulação política, perde essa cadeira na Assembleia.”
A possibilidade de convocação da parlamentar como suplente também apareceu na conversa. Ferdinand ponderou, porém, que eventuais rearranjos dependeriam de decisões políticas ainda não asseguradas.
Aproximação com Jerônimo teve conversas, mas não avançou
Ferdinand confirmou participação em articulações que buscavam aproximar Del do grupo de Jerônimo Rodrigues.
Segundo seu relato, as conversas vinham sendo construídas havia meses, mas não avançaram como esperado. O articulador atribuiu as dificuldades à participação de determinados interlocutores, sem revelar nomes.
Para explicar o impasse, recorreu a uma comparação:
“Se você botar um ingrediente errado, você azeda.”
Apesar disso, afirmou que a possibilidade de aproximação permanece aberta.
“Falta de convite para o prefeito Del não faltou, nem tem faltado.”
Ferdinand também defendeu maior diálogo com o governo federal e citou recursos para educação, saúde, proteção social, cultura e habitação. Os valores mencionados não vieram acompanhados de períodos de referência, metodologia ou documentos que permitissem conferir sua composição.
Sobre o desempenho de Jerônimo em Simões Filho, classificou o resultado relatado na entrevista como uma “surpresa positiva”. Na sua avaliação, a união da base governista e a mobilização na reta final contribuíram para a votação.
Segundo turno fica à frente das discussões sobre 2028
Embora tenha comentado os efeitos das eleições sobre a política municipal, Ferdinand disse que sua prioridade imediata é a campanha de Lula no segundo turno presidencial.
Ele defendeu maior mobilização nas ruas e nas redes sociais. Também mencionou levantamentos que, segundo seu relato, indicariam mudanças no cenário eleitoral, mas não detalhou os dados técnicos necessários para verificá-los.
Ao justificar seu apoio, fez críticas a Flávio Bolsonaro e a propostas econômicas que atribuiu ao campo adversário. Essas declarações foram apresentadas como argumentos políticos do entrevistado, não como conclusões independentes da reportagem.
Ferdinand ainda destacou a participação feminina na campanha governista e citou Carol da Pitanguinha e Thaís como lideranças que, em sua avaliação, contribuem para a renovação local.
Sobre 2028, evitou antecipar candidatura. Sua entrevista, entretanto, deixou questões abertas: Del pretende mudar de alinhamento? A relação com Dinha será mantida? Como o grupo reorganizará sua atuação após o resultado atribuído a Kátia?
São perguntas que dependem dos próximos movimentos das lideranças — e não apenas da interpretação de seus adversários.