A Eli Lilly compra AtaiBeckley por US$ 2,8 bilhões e amplia sua presença no setor de saúde mental. A farmacêutica é conhecida mundialmente pelo Mounjaro, medicamento usado no tratamento do diabetes tipo 2 e associado à perda de peso.
O acordo envolve o pagamento inicial de US$ 2,8 bilhões. Também existe a possibilidade de até US$ 1 bilhão adicional, condicionado ao cumprimento de etapas regulatórias e de desenvolvimento dos produtos.
Eli Lilly compra AtaiBeckley para avançar em novas terapias
A AtaiBeckley desenvolve medicamentos baseados em substâncias psicodélicas. Esses compostos podem alterar a percepção, o humor e outros processos neurológicos.
A aposta principal está em tratamentos para pessoas com depressão resistente. Esse quadro atinge pacientes que não apresentam resposta adequada às terapias convencionais.
Entre os produtos de interesse estão um spray nasal baseado em uma substância psicodélica encontrada no veneno de um sapo e um medicamento oral associado a um composto presente na ayahuasca.
A empresa também pesquisa uma alternativa para fobia social com estrutura molecular relacionada ao ecstasy.
Mercado de psicodélicos ganha espaço
A aquisição ocorre em um momento de expansão das pesquisas com psicodélicos. Nos Estados Unidos, mudanças no ambiente regulatório contribuíram para acelerar estudos e investimentos no setor.
Estimativas citadas no texto-base apontam que esse mercado pode alcançar US$ 7 bilhões em vendas até 2032.
No entanto, os números representam uma projeção. Os medicamentos ainda dependem de estudos clínicos, avaliação de riscos e autorização dos órgãos reguladores antes de chegarem amplamente aos pacientes.
Da desconfiança ao investimento bilionário
A Eli Lilly já possui histórico relevante na área de saúde mental. Há cerca de quatro décadas, a farmacêutica ganhou destaque com o antidepressivo Prozac.
Agora, a companhia avalia que os psicodélicos enfrentam um processo semelhante ao vivido por outros tratamentos psiquiátricos: o desafio de superar o estigma e conquistar confiança científica e social.
A diferença é que os novos medicamentos precisam demonstrar não apenas efeito terapêutico, mas também controle sobre possíveis alterações de percepção e comportamento.
Expansão além do Mounjaro
A compra da AtaiBeckley faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão. A Eli Lilly estabeleceu como objetivo investir até US$ 25 bilhões na aquisição de outras empresas ao longo do ano.
O movimento mostra como os lucros obtidos com medicamentos de grande demanda podem financiar a entrada em áreas consideradas mais arriscadas, como neurologia, depressão resistente e terapias psicodélicas.
A decisão também coloca a companhia em uma disputa por tecnologias que podem redefinir o tratamento de transtornos mentais, caso os estudos confirmem os resultados esperados.