Médium e fundador da Mansão do Caminho faleceu em casa, acompanhado por cuidados paliativos; cerimônias serão realizadas nesta semana.
Salvador, 14 de maio de 2025 – Divaldo Pereira Franco, um dos maiores expoentes do espiritismo no Brasil, faleceu na noite desta terça-feira (13), aos 98 anos, em sua residência na sede da Mansão do Caminho, no bairro Pau da Lima, em Salvador. O óbito foi confirmado às 21h45, enquanto ele recebia atendimento médico domiciliar (home care).
Últimas homenagens e sepultamento
Um ato público em sua memória ocorrerá nesta quarta-feira (14), das 9h às 20h, no ginásio de esportes da Mansão do Caminho. Conforme seu desejo, as cerimônias serão curtas, sem cortejo em carro aberto, e o caixão permanecerá fechado. O sepultamento está marcado para quinta-feira (15), às 10h, no Cemitério Bosque da Paz.
Trajetória de vida e legado
Nascido em Feira de Santana em 5 de maio de 1927, Divaldo dedicou mais de 70 anos ao espiritismo e à filantropia. Sua jornada ganhou destaque em 1952, quando fundou a Mansão do Caminho, instituição que acolheu e educou milhares de crianças em situação de vulnerabilidade.
Ao longo das décadas, o espaço se transformou em um complexo educacional e assistencial, oferecendo ensino básico, cursos profissionalizantes e atendimento médico gratuito. Toda a estrutura foi mantida com recursos arrecadados pela venda de seus livros psicografados – mais de 250 obras – e gravações de palestras.
Luta contra o câncer e últimos meses
Em novembro de 2024, Divaldo foi diagnosticado com câncer na bexiga após internação no Hospital São Rafael. O tratamento incluiu radioterapia e quimioterapia em doses reduzidas, mas ele manteve atividades restritas. Em fevereiro de 2025, uma infecção urinária o levou a nova hospitalização, mas seu quadro foi estabilizado.
Apesar da saúde frágil, continuou inspirando fiéis. Em dezembro de 2024, um vídeo seu foi exibido no “Movimento Você e a Paz”, evento ecumênico que idealizou em 1998 e que se espalhou por 14 países.
Mediunidade e reconhecimento
Divaldo descobriu sua mediunidade na infância, enfrentando resistência da família até ser aceito no meio espírita. Tornou-se um dos principais divulgadores da doutrina, ao lado de Chico Xavier, com quem mantinha forte ligação.
Deixou como herança não apenas obras literárias, mas também uma família espiritual – cerca de 685 pessoas que acolheu como filhos na Mansão do Caminho.
Repercussão e legado
Sua morte mobiliza seguidores em todo o mundo, que celebram seu exemplo de caridade e tolerância. Autoridades religiosas e admiradores já manifestaram condolências, destacando seu papel na difusão do espiritismo e na assistência social.
“A morte não é o fim, mas uma passagem para a vida espiritual”, costumava dizer Divaldo, cujo legado permanece vivo em suas obras e instituições.