Um ano após a eleição, cresce em Simões Filho a percepção de que quem manda é o ex-prefeito Dinha, não o atual gestor Del
Simões Filho se aproxima de completar um ano de nova gestão, mas a sensação — para muitos, quase uma certeza — é de que o comando da cidade não mudou de mãos. Entre conversas de rua, análises políticas e a percepção compartilhada por parte significativa da população, ecoa uma dúvida que teima em não desaparecer: afinal, quem governa? O prefeito Del do Cristo Rei ou o ex-prefeito Diógenes Tolentino?
Um debate nacional, mas um problema local
O debate não é novo no Brasil. Em diversas cidades, quando o poder muda de mãos, é natural que a população observe com atenção os primeiros passos, esperando novas ideias, novos métodos e novos protagonistas. Mas, em Simões Filho, esse processo de renovação parece emperrado. E não por falta de interesse público, mas pela leitura generalizada de que o ex-gestor segue como figura influente nos bastidores, mesmo após deixar o mandato.
Um ano depois: onde está a marca do governo Del?
Os quatro primeiros meses foram observados com paciência. Depois de seis meses, veio o questionamento. Agora, com um ano de administração prestes a ser completado, cresce a cobrança e, junto com ela, a inquietação: por que não se vê, de forma clara, o estilo próprio do prefeito Del? Onde está a assinatura política do atual gestor? Onde estão as decisões que mostram independência?
Secretarias estratégicas mantêm a mesma influência
Essa percepção pública tem ganhado força porque, no imaginário coletivo, os sinais de autonomia ainda não apareceram com a firmeza esperada. Pelo contrário: nomes ligados à gestão anterior permanecem em posições estratégicas como Educação, Obras, Esporte e Saúde, sustentando a leitura popular de que a influência de Dinha continua ativa. É uma interpretação que se espalha tanto nas conversas discretas quanto no debate público, e que provoca incômodo — principalmente porque o próprio governo não parece se esforçar para desmenti-la com ações concretas.
Rompimento que ninguém acredita
Os rumores de rompimento entre Del e Dinha, que circulam há meses, tampouco convenceram a cidade. A avaliação predominante, baseada na ausência de mudanças significativas no alto escalão, é de que esse rompimento se parece mais com uma encenação política do que com uma separação real. Uma espécie de “fingimos que brigamos, mas seguimos alinhados”. E quando a população identifica contradição entre discurso e prática, a confiança evapora.
A construção de uma imagem desconfortável
Para muitos, Del aparece menos como chefe do Executivo e mais como alguém que administra sob a sombra de seu antecessor. Uma sombra que parece orientar, influenciar e até limitar movimentos. Mesmo sem provas formais disso, a percepção coletiva é poderosa — e tem moldado a imagem do prefeito como alguém que ainda não assumiu plenamente o governo que lhe foi entregue nas urnas.
O impacto direto no ego político
Esse cenário gera um impacto direto na autoestima do próprio prefeito. Há quem diga que Del não percebe o quanto essa narrativa o diminui, transformando seu primeiro ano de gestão numa travessia cinzenta, sem marca própria, sem protagonismo e sem decisões que contornem a influência do passado. Uma leitura dura, mas constantemente repetida por moradores e analistas locais.
Simões Filho precisa de comando
Simões Filho não pode viver eternamente sob a sombra de quem já governou, nem sob a hesitação de quem governa agora. A cidade precisa de um prefeito que tome decisões, que imponha direção, que deixe claro que há um comando. E esse comando deve ser exercido por Del — não por quem já cumpriu seu ciclo político.
Um recado claro a quem entra e a quem sai
Se há um legado que a democracia insiste em ensinar, é que o poder é transitório. O problema é quando quem sai não aceita sair — e quando quem entra parece não saber entrar. E, ao completar um ano de gestão, essa é exatamente a sensação que paira sobre Simões Filho: uma cidade que espera, com urgência, que seu prefeito finalmente assuma, diante de todos, o papel de protagonista.