A Venezuela estaria vivendo uma situação incomum: tem governo interino, mas parte importante das decisões passaria pelos Estados Unidos. A informação é do New York Times, que aponta Marco Rubio, secretário de Estado americano, como uma das figuras mais influentes no país nos últimos seis meses.
Segundo o jornal, Rubio conversa quase todos os dias com Delcy Rodríguez, presidente interina venezuelana. As trocas de mensagens aconteceriam em espanhol, pelo WhatsApp.
O detalhe chama atenção porque mostra como a crise venezuelana deixou de ser apenas uma disputa interna. Agora, envolve dinheiro, ajuda internacional, empresas e pressão por eleição.
Quem controla o dinheiro tem força política
O principal motivo da influência americana seria financeiro. De acordo com o NYT, o dinheiro das exportações venezuelanas vai para o Tesouro dos Estados Unidos.
Depois, os recursos são enviados aos poucos para a Venezuela.
Esse modelo dá aos americanos poder para controlar o orçamento liberado ao governo interino. Também permite influência sobre quais empresas podem atuar no país.
Em outras palavras: mesmo sem ocupar oficialmente o governo, Washington teria uma chave importante do funcionamento da Venezuela.
Eleição virou cobrança, mas não tem data
Os Estados Unidos querem que a Venezuela convoque eleições. Só que Delcy Rodríguez ainda não informou quando isso pode acontecer.
Ao ser questionada sobre a data, ela respondeu: “Não sei. Algum dia.”
A frase caiu mal porque aumenta a sensação de indefinição. Depois da captura de Nicolás Maduro, esperava-se que o país avançasse para uma transição mais clara. Mas, até agora, o caminho segue nebuloso.
Veja mais no Tudo é Política sobre os impactos políticos dessa pressão americana na América Latina.
Terremotos deixaram país ainda mais dependente
A situação piorou após os terremotos do mês passado. Os Estados Unidos enviaram US$ 400 milhões para ajudar a Venezuela.
A ajuda foi importante para enfrentar os estragos, mas também aumentou a dependência do governo interino em relação aos americanos.
Quando um país precisa de dinheiro externo para emergências e também para tocar sua administração, a margem de decisão própria fica menor.
Por que isso importa para a região
A Venezuela não é um país qualquer no mapa latino-americano. Ela tem petróleo, peso político e influência sobre fluxos migratórios.
Por isso, uma crise em Caracas pode mexer com toda a região. O Brasil acompanha de perto, porque os efeitos podem chegar à fronteira, à diplomacia, ao comércio e ao debate político.
Para o leitor nordestino, o tema também importa porque decisões internacionais afetam preço de combustível, economia e relações entre países vizinhos.
Uma transição ainda sem resposta
O ponto mais sensível é simples: se a Venezuela caminha para eleições, precisa dizer quando. Sem data, cresce a dúvida sobre o futuro do país.
Ao mesmo tempo, se os Estados Unidos controlam parte do dinheiro, a discussão sobre soberania ganha força.
A Venezuela saiu de uma fase de forte concentração de poder, mas ainda não encontrou um caminho seguro para reconstruir sua democracia.