Medida é celebrada como conquista do povo nas ruas e do governo lula contra resistência do centrão e da extrema direita
A noite de ontem terminou com um marco político. A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto que garante isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e cria um imposto de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil. O resultado, com 493 votos favoráveis, foi celebrado como uma vitória do povo que se mobilizou contra a PEC da Blindagem e também como um triunfo do governo Lula, que enfrentou resistência do Centrão e da extrema direita para avançar com a pauta.
Principais mudanças aprovadas
O projeto tem como pontos centrais:
- Isenção do IRPF para quem ganha até R$ 5 mil mensais.
- Redução proporcional para rendas até R$ 7.350.
- Cobrança de 10% sobre dividendos superiores a R$ 50 mil mensais, a partir de 2026.
Segundo o relator Arthur Lira, a medida beneficia 15,5 milhões de brasileiros diretamente, enquanto a tributação sobre dividendos deve atingir cerca de 140 mil pessoas.
Vitória popular e política
Nas últimas semanas, manifestações de rua contra a PEC da Blindagem, que buscava dificultar investigações contra políticos, também pressionaram o Congresso a dar respostas à população. A aprovação da isenção foi lida por parlamentares como uma resposta concreta a esse clamor popular.
De acordo com cálculos oficiais, R$ 25 bilhões deixarão de ser pagos pela base da pirâmide e passarão a ser cobrados dos que recebem acima de R$ 50 mil mensais. O impacto foi descrito como neutro na arrecadação, mas simbólico na distribuição de justiça tributária.
Reações ao resultado
O líder do PT, Lindbergh Farias, afirmou que o projeto é uma retumbante vitória do povo brasileiro e uma “mudança estrutural” no sistema tributário. Já a deputada Talíria Petrone (Psol) destacou que a aprovação representa um primeiro passo rumo a uma reforma tributária mais profunda.
A oposição, porém, se dividiu. O deputado Capitão Alden (PL) criticou a medida e alertou para uma possível fuga de capitais, defendendo que a isenção deveria chegar a R$ 10 mil, mas custeada por cortes de despesas do governo.
Governo enfrenta resistência
O governo Lula precisou negociar intensamente com setores do Centrão e superar a resistência da extrema direita, que alegava risco para o mercado financeiro. Mesmo assim, a votação unânime mostrou que, diante da pressão popular, a Câmara cedeu e aprovou a proposta.
Próximos passos no Senado
O projeto agora segue para o Senado Federal, onde será debatido e pode receber ajustes. O governo aposta que a mobilização social e a vitória na Câmara ajudarão a garantir a aprovação definitiva.
A aprovação da isenção do IR até R$ 5 mil representa mais que um ajuste fiscal: tornou-se um símbolo da força popular nas ruas e da capacidade do governo Lula de enfrentar setores poderosos. Enquanto uns comemoram a conquista como um divisor de águas para milhões de brasileiros, outros ainda veem riscos. O debate no Senado será o próximo capítulo dessa disputa.
➡️ E você, acredita que essa conquista foi fruto da pressão popular ou da articulação política do governo? Deixe sua opinião nos comentários.