Quem é fã de um bom cafezinho já notou: o preço do produto nas prateleiras dos supermercados subiu — e muito. Nos últimos 12 meses, o valor médio do quilo do café quase dobrou, passando de R$ 29,62 para R$ 56,07, segundo dados de associações do setor. Mas o que está por trás dessa alta e até quando os consumidores vão sentir os efeitos?
Especialistas apontam que a inflação no café deve continuar pressionando os preços até meados do ano, com uma combinação de fatores globais e locais impactando o mercado.
Demanda global: a Ásia entra no jogo
Um dos principais motivos para a alta do café é o aumento da demanda global, especialmente na Ásia. Nos últimos anos, mais de um bilhão de pessoas na região se tornaram consumidoras de café, transformando hábitos culturais.
Países como a China, tradicionalmente associados ao consumo de chá, estão adotando o café em larga escala. Dados de organizações internacionais mostram que o consumo chinês saltou de 231 mil sacas de 60 kg em 2002 para 2,8 milhões em 2022. Esse crescimento exponencial tem pressionado os preços no mercado internacional.
Fatores climáticos: o impacto no Brasil
Além da demanda global, os fatores climáticos no Brasil também têm um papel decisivo nessa equação. O país é o maior produtor mundial de café, responsável por 40% do café consumido no planeta.
No entanto, os últimos anos foram marcados por eventos climáticos extremos, como geadas e secas, que afetaram drasticamente a produção. Em 2021, uma geada devastou os cafezais de Minas Gerais, principal estado produtor. Já em 2022, a seca reduziu a safra brasileira de 63 milhões de sacas para 54 milhões.
“Perdemos o equivalente a uma Colômbia de café por causa da seca no ano passado”, destacou um especialista do setor.
Até quando o preço do café vai subir?
A pergunta que não quer calar: até quando os consumidores vão sentir o impacto dessa alta? Segundo análises de mercado, a tendência é que os preços continuem subindo até meados de 2023.
“Difícil prever, mas, olhando para o mercado hoje, acho que até junho ou julho os preços continuarão subindo. É o que fala todo mundo da indústria, porque não há sinais de baixa nesses próximos meses”, explicou um analista
Enquanto a demanda global continua aquecida e os fatores climáticos afetam a produção, os consumidores devem se preparar para pagar mais pelo café. A alta nos preços é reflexo de um cenário complexo, que envolve desde mudanças climáticas até transformações culturais em países asiáticos.
Para quem não abre mão do cafezinho diário, a dica é ficar de olho nas promoções e buscar alternativas, como comprar em maior quantidade ou optar por marcas mais acessíveis.