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ACM Neto aposta em Tarcísio e se alinha a um projeto de país que ameaça os direitos sociais e ambientais

ACM Neto aposta em Tarcísio e se alinha a um projeto de país que ameaça os direitos sociais e ambientais

Ex-prefeito de Salvador busca se projetar nacionalmente ao lado de um governador que defende privatizações radicais e uma agenda alinhada ao mercado e contrária às políticas públicas essenciais.

Alinhamento com o retrocesso: ACM Neto aposta em Tarcísio para 2026

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), parece ter escolhido seu novo líder nacional: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e defensor de um modelo de Estado mínimo que vem provocando protestos e alertas até mesmo de economistas moderados. Neto, que já foi aliado entusiasta de Jair Bolsonaro, agora aposta todas as fichas em Tarcísio como nome para disputar a presidência da República em 2026.

Segundo aliados, o ex-prefeito acredita que o governador paulista teria capacidade de atrair o chamado “centro político”, apesar de seu histórico de declarações radicais e medidas que seguem à risca a cartilha do mercado financeiro. Em São Paulo, Tarcísio já deu diversos sinais de que pretende transformar o país em um balcão de negócios — com privatizações em série, redução de investimentos sociais e desprezo pelas pautas ambientais e de direitos humanos.

Tarcísio, o Brasil e a cartilha Milei

Tarcísio já declarou em entrevistas que considera o presidente argentino Javier Milei um exemplo de coragem e modernidade econômica. No entanto, os resultados do governo Milei têm sido devastadores para a população mais pobre da Argentina: explosão da inflação, corte de subsídios, desmonte de políticas sociais e aumento da fome.

É esse o modelo que o aliado de ACM Neto quer importar para o Brasil. Um modelo que coloca o patrimônio público à venda, desmonta o serviço público e transforma direitos sociais em mercadorias. Não por acaso, movimentos populares, sindicatos, organizações ambientais e lideranças indígenas têm alertado para os riscos dessa visão ultraliberal, que vê o povo como custo e não como prioridade.

Salvador como laboratório do descaso: gestão Bruno Reis sob crítica intensa

Em Salvador, o atual prefeito Bruno Reis, afilhado político de ACM Neto, vem aplicando uma lógica semelhante à de Tarcísio. A gestão municipal tem sido marcada por uma série de projetos que favorecem grandes construtoras, reduzem áreas verdes e ignoram o planejamento urbano sustentável. Ambientalistas têm denunciado o avanço de empreendimentos em regiões de Mata Atlântica e encostas, sem transparência nos estudos de impacto e com pouca ou nenhuma consulta popular.

A cidade, que enfrenta desigualdades históricas, assiste a uma gestão voltada para atender ao capital privado, em detrimento das necessidades básicas da população periférica. Enquanto bairros ricos recebem obras de requalificação estética, comunidades pobres sofrem com alagamentos, precariedade no transporte e abandono dos serviços de saúde.

O que está em jogo: país para poucos ou para todos?

O projeto político que une ACM Neto, Tarcísio e Bruno Reis não é neutro: é uma escolha consciente por um modelo de sociedade que prioriza lucros, flexibilização de direitos e concentração de poder nas mãos de poucos. Sob o discurso da “modernização” e da “eficiência”, esse grupo promove um verdadeiro desmonte silencioso do papel social do Estado.

A eleição de 2026 será mais do que uma disputa de nomes: será um plebiscito entre a valorização da vida, da soberania e da justiça social, ou o aprofundamento de um país capturado por interesses empresariais e distante da realidade do povo.

ACM Neto mira 2030, mas esquece 2022

ACM Neto sabe que, sozinho, não conseguiu vencer Jerônimo Rodrigues em 2022, apesar de ter o apoio de parte da elite econômica baiana. Por isso, mira agora um “padrinho nacional” que possa ser seu avalista, como Lula foi para Jerônimo. Caso não viabilize sua candidatura ao governo da Bahia em 2026, Neto já cogita compor como vice em uma chapa nacional com Tarcísio, de olho em 2030.

Mas o povo baiano — e o povo brasileiro — está cada vez mais atento. E sabe que por trás do discurso de gestão técnica e moderna, muitas vezes se esconde a velha política do privilégio, da privataria e do abandono dos mais vulneráveis.

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