A redação do Tudo é Política recebeu, nesta terça-feira, denúncia de que a Secretaria de Habitação de Simões Filho funcionou com os portões fechados ao público durante o expediente.
Segundo o relato inicial, o acesso ao órgão estava condicionado à identificação prévia por interfone, o que gerou questionamentos de moradores que buscavam atendimento em um órgão diretamente ligado a políticas públicas essenciais.
Diante da repercussão, a redação do Tudo é Política entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura (ASCOM), que confirmou que o prefeito Del Soares esteve no local cumprindo expediente interno.
De acordo com a ASCOM, o prefeito realizou reuniões administrativas com outros secretários, mas não houve atendimento direto à população que esteve em frente ao prédio.
Sobre o controle de acesso, a assessoria informou que o prédio possui portão automático e que, por medida de segurança, todos que desejam entrar precisam se identificar previamente antes de adentrar às dependências da secretaria.
O episódio ocorre em um momento sensível da política habitacional do município, com as obras do programa Minha Casa, Minha Vida em estágio avançado no bairro do Cristo Rei, reduto eleitoral do prefeito e área diretamente vinculada às ações da Secretaria de Habitação.
Com empreendimentos próximos da fase final, cresce a expectativa da população por informações, esclarecimentos e acesso aos serviços do órgão responsável pela gestão habitacional.
A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece que a administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Na prática, esses princípios determinam que órgãos públicos funcionem prioritariamente para atender ao interesse coletivo, garantindo acesso, transparência e tratamento igualitário aos cidadãos.
Embora medidas de segurança possam ser adotadas, elas não podem se confundir com restrição generalizada de acesso nem resultar na suspensão do atendimento ao público, especialmente em secretarias com forte impacto social.
O contraste entre a realização de reuniões internas e a ausência de atendimento externo, em um momento decisivo para políticas de moradia, levanta questionamentos institucionais que vão além da rotina administrativa e reforçam a necessidade de atenção ao funcionamento regular dos órgãos públicos.