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Mercosul opta por política de fragmentação impulsionada pelos EUA, diz ministro venezuelano

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Elías Jaua, ministro da Educação da Venezuela, afirmou neste sábado (05/08) que os governos dos países fundadores do Mercosul adotaram “a política de fragmentação impulsionada pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte”, em referência à nova suspensão do bloco imposta por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai ao país caribenho, decidida em reunião realizada em São Paulo nesta tarde.

“É inaceitável que se tente sancionar e isolar um país independente e livre por exercitar seus direitos constitucionais ao votar e eleger uma Assembleia Nacional Constituinte”, disse Jaua ao site RT, acrescentando que “há dois anos a Venezuela vem sendo vítima de uma agressão econômica” e que o país tem conseguido “burlar” a tentativa de isolá-lo no cenário econômico internacional.

Segundo Jaua, a OEA (Organização dos Estados Americanos) “é uma organização absolutamente tutelada pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte”, enquanto no Mercosul havia “uma nova aposta pela integração, uma nova forma de pensar nossa América do Sul”. “Lamentavelmente, os governos que hoje integram o Mercosul se colocaram ao lado da política de fragmentação impulsionada pelo governo dos EUA”, disse o ministro venezuelano.

 

Para ele, “mais que prejudicar a Venezuela, a atitude do Mercosul prejudica a possibilidade de uma América do Sul unida no [campo] econômico, comercial, social e político”. Jaua também defendeu a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, dizendo que “estamos cumprindo princípios democráticos consagrados em nossa Constituição da República Bolivariana da Venezuela e não nos podem sancionar por isso”. “Não há nenhuma maneira de justificar – nem legal, nem eticamente – este tipo de sanção contra nosso país”, afirmou.

Chanceleres aprovam nova suspensão da Venezuela do Mercosul

Os chanceleres dos países fundadores do Mercosul decidiram neste sábado (05/08) aplicar a chamada “cláusula democrática” do bloco, com uma nova suspensão da Venezuela por tempo indeterminado, em resposta à eleição da Assembleia Constituinte no último domingo (30/07) e sua instalação nesta sexta-feira (04/08).

Aloysio Nunes (PSDB), ministro das Relações Exteriores do governo de Michel Temer, disse em entrevista coletiva na Prefeitura de São Paulo que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai determinaram uma “suspensão de natureza política, por consenso, uma sanção grave de natureza política contra a Venezuela”.

Agência Efe

Chanceleres dos países fundadores do Mercosul (mais o prefeito de São Paulo, João Doria) após reunião na capital paulista neste sábado (05/08)

O Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático, que é o nome da “cláusula democrática” do Mercosul, permite a aplicação de sanções, inclusive econômicas e comerciais, aos países do bloco nos quais seja estabelecido o rompimento da ordem democrática.

“Esta é uma declaração que acrescenta um isolamento do Mercosul à Venezuela e na qual cumprimos o nosso dever. É um elemento a mais que estamos colocando para contribuir que a Venezuela possa a ter o direito de voltar a participar como país democrático”, acrescentou Aloysio.

O chanceler brasileiro esclareceu, no entanto, que “não está prevista uma sanção comercial”, pois existem acordos bilaterais com a Venezuela, e o que vai acontecer (com a aplicação da cláusula) “é um efeito de isolamento politico”.

Nunes disse também que a suspensão “é por tempo indeterminado” e, segundo um comunicado divulgado pelos quatro chanceleres, “o levantamento da suspensão só ocorrerá quando, a julgamento dos demais integrantes do bloco, tiver sido restabelecida a ordem democrática”.

Na reunião deste sábado em São Paulo, além de Aloysio Nunes, estiveram presentes os chanceleres da Argentina, Jorge Fauri; do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, e do Paraguai, Eladio Loizaga.

O ministro brasileiro afirmou que “a exigência da democracia como condição para pertencer ao bloco foi um compromisso adotado em Ushuaia em 1998”, mas que o protocolo “não prevê a expulsão” da Venezuela, o que também não é a intenção dos países fundadores do Mercosul, segundo Nunes.

O bloco fundado em 1991 se alinha, assim, às posições de governos como os dos EUA, do México e da Colômbia, que têm criticado e tentado pressionar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com o não reconhecimento da recém-eleita e instalada Assembleia Consituinte.

Na prática, a decisão não tem efeito sobre a situação da Venezuela no Mercosul, já que o país caribenho se encontra suspenso do bloco desde dezembro de 2016 por supostamente não ter cumprido os protocolos com os quais se comprometeu quando se uniu ao bloco, em 2012 – o que Caracas nega.

O Protocolo de Ushuaia foi aplicado pelo Mercosul uma única vez anteriormente, contra o Paraguai em 2012 após o golpe parlamentar que destituiu o presidente Fernando Lugo.

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A “renúncia” de Cristina Kirchner e o novo tabuleiro político argentino

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A "renúncia" de Cristina Kirchner e o novo tabuleiro político argentino

A “renúncia” de Cristina à candidatura presidencial é um acontecimento inédito. E não porque tenhamos esquecido de outra renúncia, essa sim de verdade, de Eva Perón, mas porque pela primeira vez um candidato a vice-presidente anuncia quem será o primeiro na chapa.

Um indicativo claro de onde está a fonte de poder. Um olhar superficial faz lembrar o bordão “Cámpora ao governo, Perón ao poder”, ficção que não durou nem dois meses e que acabou em um golpe palaciano, desalojando a ala mais radicalizada do peronismo.

Desta vez os fatores se inverteram: um moderado como Alberto Fernández estaria sob a pressão do kirchnerismo duro e de um possível putsch. Já tentaram essa experiência com a chapa Daniel Scioli presidente – Carlos Zannini vice, e comissário político, mas Macri a venceu A “renúncia” apresenta peculiaridades.

A primeira é que a chapa Alberto Fernández-Cristina Fernández (de Kirchner), foi anunciada a pouco mais de um mês do vencimento do prazo legal.

A presença do ex-chefe de Gabinete de Néstor Kirchner é, claramente, uma presença negociadora para unificar o peronismo.

É um convite para a grande primária do Partido Justicialista com todos dentro, como, por exemplo Sergio Massa, que Alberto várias vezes tentou fazer com que voltasse a trabalhar com Cristina.

Significa também que Cristina sabe que pode ganhar, mas sabe que terá que governar com um mundo político-financeiro hostil e com uma situação difícil para seus gostos políticos. Prefere que seja outro o responsável por essa dura tarefa.

Mas a chapa AF-CFK também poderia fazer parte da negociação global em que a situação judicial de Cristina estaria sobre a mesa.

Alberto se encarregou de mostrar que quatro juízes da Suprema Corte de Justiça tentariam frear o julgamento por corrupção que começa na terça-feira. Essas “garantias” tornariam mais fácil a negociação de um ticket no qual -inclusive- a senadora não apareça.

Cristina também tem razões personalíssimas para dar esse passo, com sua filha Florencia em um virtual exílio em Cuba.

Nesta semana, o governador da províincia de Córdoba, Juan Schiaretti, começará a fazer valer o peso de sua reeleição quando se encontrar com Sergio Massa, Juan Manuel Urtubey e Roberto Lavagna.

O peronismo alternativo tinha um peso com a polarização entre Cristina e Macri. Agora, alguns governadores comprometidos com esse setor poderiam esgrimir uma desculpa para desertar.

Aparentemente, no entanto, o terceiro setor tentará competir, embora persistam incógnitas em relação a Massa.

O governo, contudo, considera que houve gatopardismo (mudar algo para que nada mude). Argumenta que a jogada de Cristina como vice aconteceu porque ela tem um teto eleitoral que não consegue perfurar.

Outros, porém, sugerem que haverá movimentos no lado de Macri, se ele resolver que outra pessoa jogue esta partida eleitoral. Uma mudança muito difícil, mas não impossível.

Ricardo Kirschbaum é diretor de redação do Clarín.

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Presidente Nicolás Maduro pede que o FANB mantenha o sindicato em defesa do país

O presidente da Venezuela denunciou que as ações de golpe da direita venezuelana são organizadas a partir dos Estados Unidos.

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O presidente da  Venezuela , Nicolás Maduro, pediu quinta-feira às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas ( FANB ) para a coesão, para a defesa da Constituição , democracia e paz.

“Antes que o mundo é FANB tem que dar uma lição de história neste momento que em Venezuela não é um consistente, legais, forças armadas coesos, unidos como nunca antes derrotando tentativas de golpe de traidores que venderam dólares Washington , ” disse o Chefe de Estado.

Durante uma estação de rádio e televisão conjunta, o presidente recordou os valores que levaram à fundação das forças armadas do país sul-americano e destacou a lealdade dos soldados venezuelanos.

https://twitter.com/NicolasMaduro/status/1123892609422954497

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Ambulâncias com 10 venezuelanos feridos estão a caminho de Boa Vista

Duas ambulâncias, com 5 venezuelanos feridos em cada veículo, estão a caminho da cidade Boa Vista, capital de Roraima, na tarde desta sexta-feira (22).

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Ambulâncias com 10 venezuelanos feridos estão a caminho de Boa Vista

Agência Sputink – Os dois veículos seguiram primeiro para o Hospital Délio Tupinambá, o único de Pacaraima, mas depois saíram com destino ao Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, a 215 km da fronteira. 

Em entrevista à Sputnik Brasil, Ivani de Moraes afirmo, técnica de enfermagem do hospital de Boa Vista, os dois veículos carregam 10 indígenas venezuelanos feridos, 5 em cada veículo.

Segundo o jornal Washington Post, na manhã desta sexta-feira, um comboio militar se aproximou de um ponto de controle próximo a uma comunidade indígena na vila de Kumarakapai, perto de uma das vias que ligam os dois países.

Quando um grupo de pessoas tentou bloquear a passagem do comboio, os soldados abriram fogo, ferindo ao menos 22 pessoas e deixando 2 mortos. O governo de Nicolás Maduro não confirma que houve o conflito. As informações, até o momento, foram dadas pela imprensa internacional e por políticos de oposição.

A fronteira entre Venezuela e Brasil está fechada desde a noite de quinta-feira (21). No entanto, a Guarda Nacional permitiu a passagem das duas ambulâncias com os feridos para que eles fossem atendidos no Brasil.

De acordo com a Reuters, alguns indígenas haviam expressado apoio aos planos da oposição venezuelano de permitir a entrada de ajuda humanitária na Venezuela. Maduro justifica que a entrada de ajuda humanitária seria uma espécie de disfarce para facilitar uma intervenção dos Estados Unidos e ordenou aos militares que impeçam a entrada dos mantimentos.

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