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Democracia em frangalhos: por que Toffoli recuou?

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Por Ricardo Cappelli no 247O que está por trás do recuo de Toffoli, retirando da pauta a votação sobre a legalidade da prisão após condenação em segunda instância? A data estava marcada desde o ano passado.

Existem algumas hipóteses para a decisão.

O presidente do STF pode ter recuado porque a posição de que a prisão só pode acontecer após o trânsito em julgado seria derrotada. Seria uma manobra defensiva, uma tentativa de ganhar tempo e fortalecer a instituição para que ela, mais a frente, adote a posição.

Alguns movimentos corroboram com esta leitura. Foi grave o que aconteceu no último dia 3 de abril. OAB, CNBB, UNE, CNI e outras entidades foram ao STF entregar um manifesto de defesa do…STF! Não foram defender posições, foram defender a instituição. Por que ela precisa ser defendida? A Suprema Corte está ameaçada? Quem está ameaçando?

Outra hipótese é que Toffoli recuou em busca de uma saída negociada, que empurre a prisão para a terceira instância, após julgamento pelo STJ. O adiamento seria uma manobra para permitir que o STJ julgue e condene Lula antes da decisão do STF, retirando o ex-presidente do alcance dos efeitos desta revisão.

Neste raciocínio, poderia estar sendo negociada com o STJ uma prisão domiciliar para Lula. A Lava Jato sofreria uma “meia derrota”, com a prisão sendo permitida apenas após a terceira instância. E Lula seria enviado para uma “meia prisão”.

A terceira hipótese é que Toffoli adiou porque iria ganhar a votação. Faz sentido?

A vitória do Estado Democrático de Direito tiraria Lula da cadeia. Seria uma derrota dos “Torquemadas”. Se a vitória era provável, que forças foram capazes de impor um recuo?

Militares de alta patente ocupam oito ministérios. E estão por toda a Esplanada. Nunca antes, nem mesmo na Ditadura, militares tiveram tanto poder. Enquanto a autoproclamada esquerda dança serelepe ao som do “Bonde do Tigrão”, debatendo se “tchuchuca” é termo machista ou não, um jogo real e perigoso vai sendo montado.

Na cerimônia de transmissão do Comando do Exército, o general Villas Bôas disse que o Brasil vivia um novo momento graças a dois homens: Jair Bolsonaro e Sérgio Moro. Quem será o próximo a receber a mais alta comenda do exército brasileiro? Deltan Dallagnol.

No início da caminhada do Capitão, os militares externaram a preocupação de que a instituição não misturasse sua imagem com a do candidato. Hoje, parecem embebedados pelo poder.

No seu jogo, Bolsonaro continua tratando com desdém o parlamento. Os sinais públicos de aproximação são apenas parte de um ritual “fake”. No núcleo militar do Planalto, políticos são tratados como bandidos.

Guedes fez calar o plenário da CCJ com uma ironia ameaçadora. Repetiu por quatro vezes diante de deputados mudos: “Vocês acham que os militares estão contribuindo pouco na reforma da previdência? Por que não mudam? Vocês têm medo? Têm medo?

A democracia no Brasil está em frangalhos. Os pessimistas dizem que já chegamos a 64, restaria saber apenas se iremos para 68.

Existem várias formas de fechamento. Com forças de inteligência do aparato de estado alimentadas pela NSA, setores antinacionais da burocracia estatal engajados e um braço forte armado, os “cabos e soldados” podem ser dispensados de alguma exibição mais extravagante.

Por que Toffoli recuou? Que pressões atuaram sobre ele? Por que temem tanto a soltura de Lula? Por que é necessário manter o regramento de um Estado de Exceção?

O PIB deve crescer no máximo 1% este ano, aprofundando o desemprego e o drama social. Será preciso encontrar culpados, ou “uma culpada” para o desastre. A democracia, infelizmente, parece ser a primeira da fila.

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Denúncia contra Moro pode mandá-lo para a cadeia

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Ano passado, o diretor José Padilha virou o “tchutchuca” da extrema-direita por conta da série sobre a Operação Lava Jato – e contra Lula – que fez para a plataforma de streaming Netflix. Pois ele é o mais novo membro dessa legião de bolsonaristas arrependidos que só cresce e acaba de fazer uma grave denúncia contra Sergio Moro. Denúncia que pode dar cadeia!

Você se lembra do oba-oba feito em torno da série da Netflix “O Mecanismo”? Foi lançada à época da prisão de Lula e retratava o ex-presidente como um chefão mafioso e corrupto enquanto Sergio Moro aparecia como uma espécie de “Batman” tupiniquim, um “super-herói” verde-amarelo.

Padilha chegou ao abuso de colocaír na boca do seu “Lula” fictício uma frase do peemedebista Romero Juca confessando corrupção.

Pois esse ícone do antipetismo acaba de tomar duas atitudes espantosas: reconheceu que errou ao exaltar Sergio Moro e a Lava Jato, errou ao criminalizar Lula e, ao mesmo tempo, Padilha denunciou o atual ministro da Justiça por ligações com bandidos.

Padilha diz, em seu artigo, frases equivalentes a um terremoto. Vejamos algumas delas.

“Pacote de Moro contra o crime vai fortalecer milícias”

“As milícias decidem quem faz propaganda eleitoral nas suas áreas e financiam campanhas políticas”

“As milícias são organizações criminosas controladas por policiais civis e militares corruptos e violentos”

“Sempre apoiei a operação Lava Jato e chamei Sergio Moro de samurai ronin, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi”

“Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro”

“O pacote anticrime de Moro vai estimular a violência policial, o crescimento das milícias e sua influência política (…) Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia”

Se existe alguém que ainda não entendeu o que o cineasta disse, o Blog da Cidadania explica. Vamos resumir em uma frase curta qual é a questão para não dificultar muito as coisas para os limitados apoiadores que ainda restam a Bolsonaro:

Padilha acusa a família Bolsonaro de ligação com o crime organizado e o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, de trabalhar para o crime organizado.

Não é o Blog da Cidadania que diz, é o cineasta antipetista que fez a festa dos fanáticos bolsonaristas quando criou aquela série cretina no Netflix que colocou na boca de Lula e na conta dele frases e atos que o ex-presidente nunca cometeu. Mas, pelo menos, teve a grandeza de admitir o erro.

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania,

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GREVE DOS CAMINHONEIROS À VISTA: BOLSONARO AUMENTA PREÇO DO DIESEL

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Infomoney – A Petrobras anunciou na noite desta quarta-feira (17) um reajuste de R$ 0,10 no litro do diesel, o que, segundo o CEO da companhia, Roberto Castello Branco, representa uma alta entre 4,5% e 5,1% no valor do combustível nas bombas, a depender do ponto de venda.

Após anunciar um aumento de 5,7% no preço do diesel na última quinta-feira, a estatal voltou atrás no mesmo dia após o presidente Jair Bolsonaro ligar para o CEO da petrolífera, Roberto Castello Branco, e pedir a suspensão do reajuste. Na sexta, as ações da companhia desabaram 8%, levando a empresa a perder R$ 32,4 bilhões de valor de mercado.

Já na última terça, ocorreu uma reunião entre Bolsonaro, ministros e o presidente da Petrobras. Após o encontro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o presidente pensou na dimensão política do reajuste quando ligou para o chefe da estatal.

Além disso, o ministro afirmou que estão em estudo várias alternativas para dar mais transparência à política de reajuste de combustíveis da Petrobras, entre elas indexar o preço do frete ao valor do diesel.

Ele citou que essa é a política utilizada nos Estados Unidos e disse que foram feitas “interrogações” à Petrobras durante a reunião com o presidente Jair Bolsonaro.

“Tudo tem que ser estudado para o futuro, o presidente da Petrobras já estava estudando. Esse episódio precipita a aceleração de estudos”, ressaltou Guedes. “O próprio presidente da Petrobras está recalculando quais seriam as melhores praticas”.

Leia, abaixo, texto do 247 sobre possível greve dos caminhoneiros:

Caminhoneiros marcam greve para 21 de maio se diesel subir 

Os caminhoneiros estão organizando nova paralisação nacional para 21 de maio, quando se completa um ano da greve que abalou o governo Temer em 2018. O movimento acontecerá se houver qualquer reajuste no óleo diesel e se o piso mínimo do frete continuar a ser desobedecido.

“Se o diesel aumentar um centavo que seja e não houver efetiva fiscalização da aplicação do piso, a gente para no dia 21, quando a greve do ano passado completará um ano”, garante o caminhoneiro Wanderlei Alves, o Dedéco, de Curitiba (PR), um dos integrantes da rede de lideranças da categoria, em entrevista à jornalista Leila Souza Lima, do Valor Econômico 

Segundo o caminhoneiro, as representações que atuam hoje em Brasília junto ao governo federal não têm controle sobre caminhoneiros de todo o país. “Há de 20 a 30 lideranças espalhadas por todos os Estados se comunicando em articulação. Eles podem dizer com todas as letras que não vamos parar, mas nós vamos se nada for feito”, diz Alves.

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Senadora do PSL, “Moro de saias”, é caçada pelo TRE-MT

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A senadora Selma Arruda (PSL-MT), conhecida como “Moro de saias” teve o mandado cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso. A cassação foi por unanimidade. As acusações foram de abuso de poder econômico e caixa dois.

Selma Arruda é juíza aposentada e ficou conhecida em seu estado como “Moro de saias” pela sua militância jurídica.

Além da cassação, o TRE condenou Selma e seu suplente a oito anos de inelegibilidade.

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