BRASIL

Tudo é política e você é só uma parte, a mais importante

Você já ouviu a frase tudo é política? Concorda com ela? Então isso lhe interessa muito.

Tudo é política

O mosquito é engolido pelo sapo, o sapo, a cobra lhe devora, mas o urubu não pode devorar o boi e todo dia chora, todo dia chora…” Arnaut Rodrigues e Chico Anysio – Álbum BAIANOS E OS NOVOS CAETANOS

Você já ouviu a frase tudo é política? Discorda dela?

“Política, futebol e religião, não se discute”. Você acredita nisso? Se acredita, continue lendo esse artigo e poderá avaliar melhor seus conceitos.

Quem é o culpado pela situação que vivemos no nosso país, atualmente?

Aí, detesto política… Diga em quem tenho que votar e pronto!  Você já pensou ou pensa assim? Então, você tem que ler esse artigo.

É bem provável que, em vários momentos, em rodas de conversas entre amigos, você se pegou falando da situação política que o nosso país passa atualmente, mesmo sendo uma daquelas pessoas que dizem odiar política. Você é uma daquelas pessoas querem um país melhor, mas não quer discutir política.

Política, Religião e Futebol

Crescemos ouvindo a frase: “Futebol, política e religião não se discute”, mas o fato é que esses três temas são instigantes e acabam provocando o exercício de autoavaliação sobre o que sabemos e como tentamos transmitir nossas opiniões aos nossos amigos, familiares, colegas de trabalho.

Dizer que política, futebol e religião não são temas que devam ser discutidos, talvez tenha uma origem nos ensinamentos dos “mais velhos” que entediam ser este um conselho para as nossas vidas, para evitar conflitos e suas consequências.

A questão, é que somos ávidos a dar pitacos em tudo, “botar pra fora” nossas ideias, nossas convicções e assim, passar adiante nossa percepção com relação aos assuntos que permeiam nosso dia a dia.

Nos dias atuais, não há como não ter uma opinião sobre esses ou aquele líder religioso e seus ensinamentos, sobre como nosso time do coração está atuando no campeonato ou sobre uma decisão ou medida adotada pelo presidente do país ou pelo prefeito de nossa cidade. Sendo assim, não há como não ter a necessidade de expor nossas opiniões e acabamos discutindo sim, futebol, política e religião.

Difícil é ouvir e não julgar

Se o nosso objetivo é convencer os outros que, aquilo que entendemos sobre um determinado assunto é o ponto de vista mais correto e o mais coerente, então temos o cenário ideal para o surgimento das polêmicas e consequentemente, os julgamentos. É   claro que em discussão, o difícil é não julgar.

A maioria das pessoas entende que quando alguém discorda das opiniões delas, elas próprias estão sendo rejeitadas.

Quem é o culpado pela situação atual do Brasil?

Quando se diz que Tudo é Política, não necessariamente estamos dizendo que tudo está vinculado a um partido ou a um político.

No entanto, o atual momento pelo qual passa o Brasil tem proporcionado um fato positivo que é provocar, praticamente, todos os cidadãos, homens, mulheres, jovens e adolescentes, a analisar as ações e decisões do atual presidente, dos governadores, senadores, deputados, vereadores e prefeitos de maneira mais crítica.

É fato que muitas dessas avaliações, quando expostas em uma roda de conversa, criam um clima de BAVI, onde cada um se limita a defender este ou aquele partido ou político, com justificativas pouco embasadas em fatos concretos e históricos.

Há dois anos, o Brasil vem sofrendo a mutilação do estado democrático de direito e isto nos levou a mergulhar em um período sombrio de incertezas, com o esquartejamento de todos os direitos sociais da classe trabalhadora.

Estamos vendo um governo autocrático tirar direitos do povo para transformá-los em benefícios para os grandes empresários.

Estamos vendo uma classe média se enxergar como elite, que não quer ver e aceitar que suas necessidades estão cada dia mais alinhadas às necessidades da classe trabalhadora.

Estamos vendo gente esperneando por todos os lados, tentando achar culpados por tudo que estamos vivendo.

Há quem diga que tudo que está aí é culpa da “esquerda” e há quem diga que tudo é culpa da “direita”.

E há aqueles que entendem que a arbitrariedade é a grande saída, defendendo ideias genocidas, preconceituosas, xenófobas, machistas, teocratas e elitistas.

Enquanto esses discursos binários vão deixando nossas vidas mais pobres, literalmente pobres de tudo, paramos de evoluir e quando não nos permitimos ouvir e compreender os que pensam de forma diferente, deixamos os outros decidirem nosso futuro e o futuro dos nossos.

Além disso, a disseminação da teologia da prosperidade tem feito como que muitos de nós, fieis ouvintes e seguidores daqueles que se interessam pela política e usam a religião como meio, a uma certeza: a de que Deus, um dia, mudará seus destinos aqui na terra e em breve assistirão aos julgamentos divino dos maus políticos, fazendo-se assim, justiça.

Aí, detesto política… Diga em quem tenho que votar e pronto!

Não estamos carentes de debates, nossos debates é que estão carentes de informação e reflexão.

Acreditar que “política e religião não se discute” nos leva à preguiça de pensar e a alienação, nos fazendo viver a vida como se tudo pudesse ser, somente, um produto a ser consumido.

E se nos negamos a discutir política, então, reduzimos as possibilidades de pluralidade. Além disso, deixamos o futuro do nosso país, estados e municípios nas mãos de outros que também não discutem e pior, que votam em pessoas bisonhas, que parecem ser eleitas para participarem, semanalmente, de espetáculos circenses, encenando tragicomédias ao longo de um mandato de quatro anos.

Tudo é política sim! Se você não entende assim, então esqueça! Você não pode reclamar de nada.

Moradia, segurança, saúde, saneamento, custo de vida, lazer, escolarização, educação e tudo mais que determine nossas rotinas é o resultado das nossas escolhas, do nosso comportamento e decisões políticas na hora de votar.

Isso é tão sério que espertalhões usam e abusam da religião para promoverem “partidos abençoados” compostos por “homens de Deus” que, sem permissão para questionamentos, devem ser eleitos para representar o povo e decidir o futuro da nação.

O resultado disso? Vide votação do “GOLPICHMENT” da presidente deposta, Dilma Rousseff e das denúncias contra o atual presidente Michel Temer.

Tudo é política e somos nós os responsáveis

Como é possível concluir até aqui, tudo é política e a política está em tudo. Então, precisamos nos informar e refletir sobre, em quem votamos na última eleição e porque votamos.

Precisamos fazer uma análise da atuação daqueles que elegemos para decidir sobre como viveremos os próximos anos e que país deixaremos para nossos filhos e netos.

Somos nós os responsáveis por câmaras de vereadores compostas por pessoas sem o menor preparo para exercer a função de vereador, fiscalizador de prefeitos que não sabem se fazem gestão ou calculam quanto vai sobrar para eles, em obras superfaturadas.

Somos os responsáveis por eleger deputados federais que ao manifestarem seus votos, mesmo que seja para defender algo que prejudica a grande maioria da população, dizem fazer isso em nome de Deus, para estes, ladrões, marginais e corruptos, podem ser protegidos mediante compensações escandalosas, tudo “em nome de Deus”.

Somos responsáveis por manter verdadeiras dinastias, votando em filhos e netos de velhos coronéis como se fossemos obrigados a manter um tempo em que nossos pais e avós eram conduzidos em carrocerias de caminhões, direto para as urnas, para marcarem um “X” no nome do “canidato que o patrão mandô”.

Digo tudo que penso pelo WhatsApp e Facebook, e dai?

Nos dias atuais a internet e as redes sociais têm se mostrado as plataformas ideias para disseminação de discórdia, mentiras, verdades e meias verdades.

Claro que muito se aprende na rede mundial de computadores, mas devemos ficar atentos para não fazermos do WhatsApp e do Facebook as únicas formas de interação possível nem a única desejável, o bom e velho corpo a corpo é fundamental. A rua é fundamental.

Tudo é política e devemos participar ativamente dos destinos das nossas cidades, estados e pais.

Quem é “o cara” ou “a minha” que você vai depositar seu voto, sua confiança?

Ele ou ela, tem a dignidade necessária para merecer seu voto, ou são apenas, mais um daqueles produtos das organizações tabajara?

Ele ou Ela está intelectualmente preparado, ou é mais um daqueles que tem “um trabaio social na comunidade, distribuino sopão ou tirano foto do esgoto que limpô, na rua?

Política parece ser algo chato, e vemos assim porque foi dessa forma que orientados a perceber política.

Se você não concorda como a política é discutida, desenvolva sua maneira de conversar e debater os problemas da sua cidade, do seu bairro de sua rua.

Entenda que a política e os fatos políticos influem nas decisões da vida cotidiana, no trabalho, no amor, nas amizades e nas criações artísticas, isso tudo se converte em tipos humanos, que surgem em todos os campos. Isso tudo se traduz em política.

Se você silencia, dá lugar aos oportunistas. O silêncio é estrondoso e machuca nossos tímpanos, diferente do diálogo que se assemelha à música. Se em algum momento, nossos argumentos naufragarem em nossas próprias arrogâncias, não devemos tentar calar o outro.

Não se ganha um debate no grito, isso só prova nossa fraqueza intelectual.

Nas próximas eleições, busque o diálogo, seja tolerante, mesmo que tenha que ser firme e duro. E se questionarem você sobre suas escolhas, não tenha medo de expor suas opções, se elas forem fortes o bastante, irá resistir.

Devemos romper a barreira do conformismo e debater política sim. Mesmo que você seja taxado como: chato, um mala sem alça, um babaca ou um subversivo.

Tudo é política. E não é porque seu amigo não curtiu sua foto postada no Facebook, exibindo um copo de cerveja que ele não mereça sua atenção para discutir política com você.

Só através da política teremos uma visão melhor de tudo e uma necessária sensação de pertencimento.

Só através da política, percebemos o quão importante são os dias atuais e as decisões que teremos que tomar para os próximos quatro anos.

Tudo é política. O Brasil já paga um preço alto demais por discutirmos política em clima de BAVI, essa visão é estreita e custa caro.

Tudo é política e é você que tem a chance de mudar tudo a cada eleição, não desperdice a oportunidade de dialogar como seus vizinhos, colega de trabalho, filhos, esposa e esposo sobre o que te levou a decidir seus votos até aqui.

Tudo é política e se o povo passar a entender o valor do seu voto, tudo muda.

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